ELLA
Eu já havia perdido a noção do tempo.
Dias, horas, minutos… tudo se misturava no mesmo borrão sufocante daquele quarto sem janelas. Só havia a lâmpada fraca no teto, uma cama dura e o cheiro constante de mofo, como se o ar estivesse velho. Eu tentava manter a calma por causa do bebê, mas às vezes meu peito ardia de medo.
Hoje, porém… algo mudou.
Eu estava sentada no colchão, abraçando as pernas, quando ouvi passos do lado de fora. Não eram os passos pesados dos capangas. Eram outros — firmes, conhecidos, assustadoramente familiares.
Minha respiração travou quando ouvi a voz que eu menos queria escutar na vida.
— Ela não precisa saber mais do que já sabe.
Henrique.
Meu estômago se revirou como se o chão tivesse desaparecido.
A voz de Helena veio logo depois, irritada, como sempre:
— Mas ela vai descobrir cedo ou tarde. Você devia deixar que eu lidasse com ela…
— Já disse que não. — Henrique respondeu, impaciente. — O objetivo não é machucar. É controlar. Se Noah fizer o que eu qu