Culpa não consola. Ela só ensina a sangrar devagar.
O carro entrou no condomínio do Guarujá como se entrasse num lugar que já não era dele.
Não porque as chaves não funcionassem, não porque os seguranças não o reconhecessem, não porque a casa tivesse mudado. A casa estava igual. O mar estava igual. O cheiro de sal ainda invadia o ar quando ele abria a janela. A diferença era a ausência. A ausência tinha tomado tudo com uma calma brutal, como se tivesse se sentado nos móveis, deitado nos quartos