Mundo de ficçãoIniciar sessãoOs dias começaram a seguir um ritmo estranho na vida de Valentina.
Manhãs no hospital.
Tardes resolvendo burocracias da nova vida.
Noites voltando para um apartamento que ainda não parecia realmente seu.
Tudo parecia acontecer rápido demais.
Fazia apenas uma semana desde que ela havia assinado o contrato, mas sua vida já parecia completamente diferente.
Naquela manhã, Valentina caminhava pelo corredor elegante da sede do Grupo Montenegro, segurando uma pasta contra o peito.
O prédio era gigantesco.
Paredes de vidro.
Piso de mármore.
Funcionários bem vestidos andando apressados pelos corredores.
Ela se sentia completamente deslocada naquele ambiente.
O salto baixo ecoava discretamente enquanto ela caminhava atrás da assistente que a guiava.
— A senhora Helena pediu que a senhora resolvesse alguns documentos pessoais do senhor Leonardo — explicou a mulher, sem diminuir o passo.
Valentina assentiu.
— Certo.
Na verdade, Helena Montenegro não havia pedido.
Ela havia ordenado.
“Se vai usar o sobrenome da família, pelo menos seja útil.”
Essas tinham sido exatamente as palavras dela.
A assistente parou diante de uma porta dupla de madeira escura.
Uma placa prateada estava fixada nela.
Leonardo Montenegro — Diretor Executivo
Valentina sentiu o coração bater mais forte.
Mesmo sabendo que ele estava inconsciente no hospital… entrar naquele escritório parecia invadir a vida de alguém.
— Os documentos estão na mesa — disse a assistente. — A senhora pode usar o escritório com tranquilidade.
Ela se afastou sem esperar resposta.
Valentina ficou alguns segundos olhando para a porta.
Então respirou fundo e entrou.
O escritório era enorme.
Luxuoso, mas elegante.
Uma parede inteira de vidro mostrava a cidade lá embaixo.
Havia estantes repletas de livros e troféus empresariais.
E no centro da sala…
A mesa de Leonardo Montenegro.
Valentina caminhou lentamente até ela.
Sentou-se.
Os documentos estavam organizados em pilhas perfeitas.
Ela começou a separá-los.
Contratos.
Relatórios.
Correspondências.
Era difícil acreditar que aquele homem, que agora estava inconsciente em um hospital, costumava comandar um império daquele tamanho.
Valentina folheou um dos documentos distraidamente.
Então algo chamou sua atenção.
Uma moldura de prata.
Ela estava virada para baixo sobre a mesa.
Valentina franziu levemente a testa.
Curiosa, ela virou a moldura.
E congelou.
Era uma fotografia.
Leonardo Montenegro estava nela.
Mas diferente do homem imóvel no hospital.
Aqui ele parecia… vivo.
Confiante.
Elegante em um terno escuro.
Os cabelos levemente bagunçados.
O olhar intenso.
Ele estava em um evento formal, segurando uma taça de vinho e sorrindo levemente para a câmera.
Valentina sentiu algo estranho dentro do peito.
Ela nunca tinha realmente olhado para ele antes.
No hospital, os tubos e o silêncio sempre dominavam tudo.
Mas ali…
Ali ela estava vendo quem ele realmente era.
Um homem jovem.
Bonito.
E poderoso.
Ela inclinou a cabeça, observando melhor a fotografia.
— Então você é esse tipo de homem… — murmurou.
Um daqueles homens que pareciam nascer destinados ao sucesso.
Homens que nunca precisavam se preocupar com contas atrasadas.
Ou com a conta de remédios da própria mãe.
Ela colocou a foto de volta na mesa.
Mas algo chamou sua atenção novamente.
Havia algo escrito atrás da moldura.
Valentina virou a foto com cuidado.
E leu a pequena frase escrita com caneta preta.
“Nunca esqueça quem te salvou naquele dia.”
Valentina franziu a testa.
— Quem te salvou…?
Ela virou novamente a fotografia.
Mas não havia mais ninguém na imagem.
Apenas Leonardo.
Ela colocou a moldura de volta no lugar.
Estranho.
Talvez fosse apenas uma lembrança de algum evento antigo.
Valentina voltou aos documentos.
Mas alguns minutos depois, um movimento na porta chamou sua atenção.
Ela ergueu o olhar.
Dois homens estavam parados ali.
Ambos vestiam ternos caros.
Mas um deles parecia particularmente irritado.
— Quem é você?
A voz saiu dura.
Valentina se levantou imediatamente.
— Eu… eu sou Valentina.
O homem deu dois passos para dentro da sala.
Ele era alto, elegante, com olhos muito parecidos com os de Leonardo.
Provavelmente um parente.
— E por que está no escritório do meu irmão?
Valentina sentiu o estômago apertar.
Irmão.
Então ele era…
— Eu sou…
As palavras ficaram presas por um segundo.
Aquilo ainda parecia estranho até para ela.
— Eu sou a esposa dele.
O silêncio caiu na sala.
O homem piscou.
Então soltou uma risada curta.
— Desculpa… o quê?
Valentina respirou fundo.
— Eu me casei com Leonardo Montenegro.
O homem a encarou por alguns segundos.
Então seu olhar escureceu.
— Meu irmão está em coma.
— Eu sei.
— Então você está dizendo que… — ele fez um gesto irritado — alguém simplesmente apareceu e casou com ele?
Valentina manteve a postura.
— Foi um acordo com seus pais.
O homem passou a mão pelo cabelo.
— Inacreditável.
Ele soltou uma risada sem humor.
— Meu irmão mal consegue respirar sozinho… e arrumaram uma esposa pra ele.
O olhar dele voltou para Valentina.
Agora mais frio.
Mais avaliador.
— Eu sou Gabriel Montenegro.
Ele cruzou os braços.
— E se você acha que vai aproveitar a situação do meu irmão… você escolheu a família errada.
Valentina sentiu a garganta secar.
Mas manteve o olhar firme.
— Eu não estou aproveitando nada.
Gabriel deu um passo mais perto.
— Veremos.
O silêncio entre os dois ficou pesado.
Então ele olhou ao redor do escritório.
— E não se acostume com essa cadeira.
Ele apontou para a mesa.
— Meu irmão vai acordar.
Os olhos dele voltaram para ela.
— E quando isso acontecer… ele vai decidir o que fazer com você.
Valentina engoliu em seco.







