Mundo de ficçãoIniciar sessãoO som da minha assinatura no papel pareceu ecoar no escritório inteiro.
Por um segundo ninguém disse nada.
Helena foi a primeira a reagir.
— Você enlouqueceu?
A voz dela estava carregada de incredulidade.
Levantei os olhos lentamente.
— Não que isso seja da sua conta, mas acredito que a decisão seja minha.
O olhar dela se estreitou.
— Você faz ideia de quem eu sou?
Cruzei os braços.
— Aparentemente alguém que acabou de perder um noivo.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Helena deu um passo na minha direção, os saltos ecoando no chão de mármore.
— Você acha que isso significa alguma coisa?
A forma como ela me analisava era quase cruel.
— Você acha que um contrato vai te transformar em parte deste mundo?
Não respondi.
Porque a verdade era que eu nem queria fazer parte daquele mundo.
Eu só precisava sobreviver nele.
— Isso é apenas um acordo de negócios — ela continuou, olhando rapidamente para Dante. — Você realmente acha que ele vai tratar você como uma esposa?
Antes que eu pudesse responder, Dante falou.
— Já terminou?
A voz dele era calma.
Fria.
Helena virou-se para ele.
— Você está cometendo um erro enorme.
— Isso não é da sua conta.
— Não é da minha conta? — ela riu, incredula. — Nossas famílias passaram anos planejando esse casamento!
Dante parecia completamente indiferente.
— E ainda assim, aqui estamos.
Helena ficou alguns segundos em silêncio.
Depois voltou a me encarar.
— Você realmente acha que vai conseguir manter esse lugar?
Ela deu um sorriso frio.
— Mulheres como você nunca duram muito nesse mundo.
Senti algo dentro de mim se irritar.
Talvez fosse o tom de desprezo.
Talvez fosse o jeito que ela falava como se eu fosse invisível.
Inclinei levemente a cabeça.
— Engraçado.
Helena arqueou uma sobrancelha.
— O quê?
— Porque até agora parece que sou eu quem está usando o anel imaginário.
O olhar dela escureceu.
Dante soltou um suspiro discreto, como se estivesse assistindo a um espetáculo inevitável.
Helena virou-se para ele novamente.
— Isso não vai ficar assim.
— Nunca achei que ficaria.
Ela pegou a bolsa com um movimento brusco.
Antes de sair, porém, parou ao meu lado.
— Aproveite enquanto pode.
A voz dela era baixa.
Ameaçadora.
— Porque quando meu pai souber disso… você vai entender exatamente no que se meteu.
A porta se fechou com força atrás dela.
O escritório ficou em silêncio.
Respirei fundo.
— Sua ex-noiva parece adorável.
Dante me observou por alguns segundos.
— Helena nunca foi minha noiva.
— Ela parecia bastante convencida disso.
Ele ignorou o comentário e pegou o contrato.
— A partir de agora precisamos estabelecer algumas coisas.
— Já não estabelecemos o suficiente?
— Não.
Ele caminhou até a mesa novamente.
— Nosso casamento ainda não foi anunciado.
Franzi a testa.
— Pensei que fosse exatamente isso que estávamos fazendo.
— Ainda não.
Ele abriu uma pasta com alguns documentos.
— Primeiro vamos anunciar nosso noivado.
— Noivado?
— A mídia precisa de tempo para aceitar a história.
Claro.
Porque aparentemente até relacionamentos falsos precisavam de estratégia.
— Quanto tempo?
— Alguns meses.
Minha sobrancelha se ergueu.
— Meses?
Dante me encarou.
— Casamentos da minha família não acontecem de forma impulsiva.
Cruzei os braços.
— Isso é irônico, considerando que nos conhecemos há menos de uma hora.
Por um momento ele quase sorriu.
Quase.
— Amanhã vamos anunciar oficialmente o noivado.
Meu coração deu um pequeno salto.
— Amanhã?
— Haverá uma coletiva na empresa.
— Você quer jogar isso na mídia inteira?
— Exatamente.
Passei a mão pelos cabelos.
— E o que exatamente espera que eu faça?
Ele me olhou por alguns segundos.
Depois respondeu:
— Finja.
— Fingir o quê?
Dante se aproximou um pouco mais.
Perto o suficiente para que eu pudesse sentir o perfume dele — algo sofisticado e perigosamente agradável.
— Que está feliz em se casar comigo.
Meu coração deu uma batida estranha.
— Isso pode ser difícil.
— Você vai aprender.
Ele estendeu a mão.
— Venha.
— Para onde?
— Precisamos comprar um anel.
Piscou.
— Um anel convincente.
Olhei para a mão dele.
Depois para o rosto dele.
— Você sempre move as coisas nessa velocidade?
— Quando quero algo, sim.
— E agora você quer um noivado falso perfeito?
— Exatamente.
Suspirei.
— Isso é loucura.
Dante inclinou levemente a cabeça.
— Ainda pode desistir.
Olhei para o contrato assinado sobre a mesa.
Para as dívidas que desapareceriam.
Para a vida da minha mãe que eu poderia salvar.
Então voltei a olhar para ele.
— Não.
O canto da boca dele se ergueu levemente.
— Ótimo.
Ele abriu a porta do escritório.
— Porque a partir de agora, Aurora…
O olhar dele encontrou o meu novamente.
— você é oficialmente minha noiva.
Meu estômago virou.
Mas antes que eu pudesse responder, ouvi vozes agitadas no corredor.
Funcionários.
Murmúrios.
E então alguém disse algo que fez meu coração disparar.
— A imprensa já está aqui embaixo!
Olhei para Dante.
— Achei que a coletiva era amanhã.
Ele também parecia surpreso.
— Era.
Então ele pegou meu pulso.
E me puxou levemente para perto.
— Parece que nosso noivado vai começar agora.
E quando as portas do elevador se abriram…
Dezenas de câmeras estavam apontadas diretamente para nós.
E eu ainda nem tinha um anel.







