Início / Romance / A Esposa por Contrato do Herdeiro Cruel / Capítulo 4 — A noiva inesperada - Aurora
Capítulo 4 — A noiva inesperada - Aurora

O som da minha assinatura no papel pareceu ecoar no escritório inteiro.

Por um segundo ninguém disse nada.

Helena foi a primeira a reagir.

— Você enlouqueceu?

A voz dela estava carregada de incredulidade.

Levantei os olhos lentamente.

— Não que isso seja da sua conta, mas acredito que a decisão seja minha.

O olhar dela se estreitou.

— Você faz ideia de quem eu sou?

Cruzei os braços.

— Aparentemente alguém que acabou de perder um noivo.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

Helena deu um passo na minha direção, os saltos ecoando no chão de mármore.

— Você acha que isso significa alguma coisa?

A forma como ela me analisava era quase cruel.

— Você acha que um contrato vai te transformar em parte deste mundo?

Não respondi.

Porque a verdade era que eu nem queria fazer parte daquele mundo.

Eu só precisava sobreviver nele.

— Isso é apenas um acordo de negócios — ela continuou, olhando rapidamente para Dante. — Você realmente acha que ele vai tratar você como uma esposa?

Antes que eu pudesse responder, Dante falou.

— Já terminou?

A voz dele era calma.

Fria.

Helena virou-se para ele.

— Você está cometendo um erro enorme.

— Isso não é da sua conta.

— Não é da minha conta? — ela riu, incredula. — Nossas famílias passaram anos planejando esse casamento!

Dante parecia completamente indiferente.

— E ainda assim, aqui estamos.

Helena ficou alguns segundos em silêncio.

Depois voltou a me encarar.

— Você realmente acha que vai conseguir manter esse lugar?

Ela deu um sorriso frio.

— Mulheres como você nunca duram muito nesse mundo.

Senti algo dentro de mim se irritar.

Talvez fosse o tom de desprezo.

Talvez fosse o jeito que ela falava como se eu fosse invisível.

Inclinei levemente a cabeça.

— Engraçado.

Helena arqueou uma sobrancelha.

— O quê?

— Porque até agora parece que sou eu quem está usando o anel imaginário.

O olhar dela escureceu.

Dante soltou um suspiro discreto, como se estivesse assistindo a um espetáculo inevitável.

Helena virou-se para ele novamente.

— Isso não vai ficar assim.

— Nunca achei que ficaria.

Ela pegou a bolsa com um movimento brusco.

Antes de sair, porém, parou ao meu lado.

— Aproveite enquanto pode.

A voz dela era baixa.

Ameaçadora.

— Porque quando meu pai souber disso… você vai entender exatamente no que se meteu.

A porta se fechou com força atrás dela.

O escritório ficou em silêncio.

Respirei fundo.

— Sua ex-noiva parece adorável.

Dante me observou por alguns segundos.

— Helena nunca foi minha noiva.

— Ela parecia bastante convencida disso.

Ele ignorou o comentário e pegou o contrato.

— A partir de agora precisamos estabelecer algumas coisas.

— Já não estabelecemos o suficiente?

— Não.

Ele caminhou até a mesa novamente.

— Nosso casamento ainda não foi anunciado.

Franzi a testa.

— Pensei que fosse exatamente isso que estávamos fazendo.

— Ainda não.

Ele abriu uma pasta com alguns documentos.

— Primeiro vamos anunciar nosso noivado.

— Noivado?

— A mídia precisa de tempo para aceitar a história.

Claro.

Porque aparentemente até relacionamentos falsos precisavam de estratégia.

— Quanto tempo?

— Alguns meses.

Minha sobrancelha se ergueu.

— Meses?

Dante me encarou.

— Casamentos da minha família não acontecem de forma impulsiva.

Cruzei os braços.

— Isso é irônico, considerando que nos conhecemos há menos de uma hora.

Por um momento ele quase sorriu.

Quase.

— Amanhã vamos anunciar oficialmente o noivado.

Meu coração deu um pequeno salto.

— Amanhã?

— Haverá uma coletiva na empresa.

— Você quer jogar isso na mídia inteira?

— Exatamente.

Passei a mão pelos cabelos.

— E o que exatamente espera que eu faça?

Ele me olhou por alguns segundos.

Depois respondeu:

— Finja.

— Fingir o quê?

Dante se aproximou um pouco mais.

Perto o suficiente para que eu pudesse sentir o perfume dele — algo sofisticado e perigosamente agradável.

— Que está feliz em se casar comigo.

Meu coração deu uma batida estranha.

— Isso pode ser difícil.

— Você vai aprender.

Ele estendeu a mão.

— Venha.

— Para onde?

— Precisamos comprar um anel.

Piscou.

— Um anel convincente.

Olhei para a mão dele.

Depois para o rosto dele.

— Você sempre move as coisas nessa velocidade?

— Quando quero algo, sim.

— E agora você quer um noivado falso perfeito?

— Exatamente.

Suspirei.

— Isso é loucura.

Dante inclinou levemente a cabeça.

— Ainda pode desistir.

Olhei para o contrato assinado sobre a mesa.

Para as dívidas que desapareceriam.

Para a vida da minha mãe que eu poderia salvar.

Então voltei a olhar para ele.

— Não.

O canto da boca dele se ergueu levemente.

— Ótimo.

Ele abriu a porta do escritório.

— Porque a partir de agora, Aurora…

O olhar dele encontrou o meu novamente.

— você é oficialmente minha noiva.

Meu estômago virou.

Mas antes que eu pudesse responder, ouvi vozes agitadas no corredor.

Funcionários.

Murmúrios.

E então alguém disse algo que fez meu coração disparar.

— A imprensa já está aqui embaixo!

Olhei para Dante.

— Achei que a coletiva era amanhã.

Ele também parecia surpreso.

— Era.

Então ele pegou meu pulso.

E me puxou levemente para perto.

— Parece que nosso noivado vai começar agora.

E quando as portas do elevador se abriram…

Dezenas de câmeras estavam apontadas diretamente para nós.

E eu ainda nem tinha um anel.

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