Mundo ficciónIniciar sesiónAs portas do elevador se abriram devagar, e de repente, parecia que eu tinha caído num sonho estranho. Nem tive tempo de pensar em dar um passo pra frente — uma enxurrada de luzes brancas e flashes já me engolia. O corredor estava lotado de câmeras, algumas quase encostando no meu rosto, e microfones brotavam de todos os lados, como se eu fosse algum bicho raro que todo mundo precisava registrar.
O barulho era ensurdecedor. Repórteres se empurravam, um tentando falar mais alto que o outro, numa briga desesperada por atenção. As perguntas se misturavam numa confusão só, impossível entender direito o que diziam. Por um segundo, minha cabeça ficou em branco. Senti o coração disparar, o sangue batendo forte nos ouvidos. Parecia que o mundo tinha saído do eixo e eu estava bem no centro de um caos planejado.
— Senhor Montenegro! — alguém gritou, quase berrando.
— Quem é essa mulher ao seu lado? — outro disparou, com aquela curiosidade que mal tentava esconder.
— Isso tem a ver com os boatos de casamento? — perguntou uma repórter, cheia de expectativa.
— É verdade que a família Barros rompeu com as empresas Montenegro? — veio mais um, já querendo arrancar algum escândalo.
As perguntas vinham de todos os lados, como se fossem flechas lançadas sem trégua, me cercando, me apertando contra uma parede invisível. Senti meu corpo enrijecer; meu instinto gritava para que eu desse meia-volta e desaparecesse dali, que escapasse daquele cerco sufocante antes que fosse tarde demais.
Mas antes que eu pudesse sequer me mover, senti uma mão firme na minha cintura.
Dante.
Ele me puxou discretamente para perto.
O gesto foi natural.
Seguro.
Como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Mas para mim parecia que todo o ar tinha desaparecido.
Meu corpo ficou rígido quando senti o calor da mão dele contra mim.
— Relaxe — ele murmurou baixo o suficiente para que apenas eu ouvisse.
O perfume dele era ainda mais intenso ali.
— Eles estão esperando exatamente essa reação.
Engoli em seco.
— Eu não sabia que sua definição de “anunciar amanhã” significava hoje.
— Nem eu.
Mas a expressão dele continuava completamente calma.
Controlada.
Como se tivesse nascido para lidar com esse tipo de situação.
Uma repórter avançou um pouco mais.
— Senhor Montenegro, pode confirmar os rumores?
Dante finalmente falou.
A voz dele saiu firme e clara.
— Sim.
O burburinho aumentou imediatamente.
— Rumores? — alguém perguntou.
Ele apertou levemente minha cintura.
— Sobre o meu noivado.
Meu coração deu um salto.
Câmeras dispararam flashes quase cegantes.
— Quem é ela?
Dante virou-se levemente para mim.
— Aurora.
Meu nome na boca dele soou estranho.
Quase íntimo.
— Essa é minha noiva.
Um microfone apareceu praticamente no meu rosto.
— Senhorita, como vocês se conheceram?
Minha mente ficou completamente em branco.
Ótimo.
Perfeito.
Era exatamente por isso que eu não deveria estar ali.
Senti os dedos de Dante pressionarem suavemente minha cintura.
Um lembrete silencioso.
Finja.
Respirei fundo.
— Nós nos conhecemos há algum tempo — respondi.
Não era exatamente uma mentira.
Afinal… já fazia quase uma hora.
Alguns repórteres riram discretamente.
Outro perguntou:
— Isso foi inesperado para a família Montenegro?
Dante respondeu antes que eu pudesse dizer algo.
— Não para mim.
Ele então fez algo que eu definitivamente não esperava.
A mão dele deslizou da minha cintura para minhas costas.
E ele me puxou um pouco mais para perto.
Meu corpo praticamente encostou no dele.
O calor subiu imediatamente pelo meu rosto.
— Eu sempre soube que ela era a mulher certa.
Meu coração bateu forte.
Mentiroso.
Convincente.
Perigosamente convincente.
Um jornalista levantou a mão.
— Então quando será o casamento?
Dante olhou para mim.
Por um segundo tive a estranha sensação de que ele estava realmente esperando uma resposta.
Então sorri levemente.
— Ainda estamos decidindo.
As câmeras continuavam disparando flashes.
— Pode mostrar o anel?
Congelei.
Anel.
Certo.
Nós definitivamente esquecemos dessa parte.
Olhei para Dante.
Ele percebeu imediatamente.
Mas em vez de parecer preocupado…
Ele sorriu.
Um sorriso lento.
Perigoso.
— Ainda não tivemos tempo de escolher um.
A multidão reagiu com surpresa.
— Então o pedido foi recente?
— Muito.
Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, Dante levantou minha mão.
Entrelaçou seus dedos nos meus.
E a ergueu levemente para as câmeras.
Meu coração estava batendo rápido demais.
— Mas o anel vem em breve.
Outro repórter perguntou:
— Senhor Montenegro, podemos ver um beijo do casal?
Meu cérebro entrou em pane.
Beijo?
Dante ficou em silêncio por um segundo.
Então olhou para mim.
Aquele olhar escuro e intenso caiu diretamente sobre meu rosto.
O mundo ao redor parecia ter desaparecido.
As câmeras.
As pessoas.
Tudo.
Só existia ele.
E a forma como ele estava me observando.
— Isso seria apropriado — alguém insistiu.
Meu coração disparou.
Dante inclinou a cabeça levemente.
E então se aproximou.
Devagar.
Muito devagar.
Eu podia sentir a respiração dele.
O calor.
O perfume.
Meu corpo inteiro ficou tenso.
— Relaxe — ele murmurou quase contra meus lábios.
Minha mente gritou.
Ele não vai fazer isso.
Vai?
As câmeras estavam praticamente explodindo em flashes.
Meu coração parecia estar no meu ouvido.
O rosto dele estava tão perto agora que eu podia ver cada detalhe dos olhos escuros.
Por um segundo achei que ele realmente fosse me beijar.
E a pior parte?
Uma pequena parte de mim… esperava que ele fizesse isso.
Mas no último segundo ele parou.
Muito perto.
Perto demais.
O suficiente para fazer parecer exatamente o que os repórteres queriam ver.
Então Dante virou levemente o rosto.
E beijou minha bochecha.
A multidão reagiu imediatamente.
Flash.
Flash.
Flash.
Ele se afastou um pouco.
Mas a mão dele ainda estava firme na minha cintura.
— Isso é o suficiente por hoje — ele disse calmamente.
Segurança começou a afastar os jornalistas.
Meu coração ainda estava disparado.
Quando finalmente entramos no carro que nos esperava do lado de fora, o silêncio caiu entre nós.
Esperei alguns segundos.
Então falei.
— Você quase me beijou.
Dante olhou pela janela.
— Quase.
Cruzei os braços.
— Aquilo foi desnecessário.
Ele voltou os olhos para mim.
E pela primeira vez desde que o conheci, havia algo diferente no olhar dele.
Algo… curioso.
— Foi?
Meu coração deu outra batida estranha.
Então ele disse algo que fez meu estômago virar.
— Porque você parecia bastante desapontada quando eu parei.
Fiquei completamente sem palavras.
E o pior de tudo?
Talvez ele não estivesse completamente errado.







