A carta de Julian passou alguns dias morando na bolsa de Clara como um segredo com vida própria. Ela não a esquecia em nenhum momento; às vezes, no meio de uma reunião da Fundação, sentia os dedos coçarem para tocar o envelope pardo, como quem checa se um curativo ainda está no lugar.
Leu e releu tantas vezes que podia recitar alguns trechos de memória: “Eu me apaixonei por você. Não pelo projeto, não pela fundadora, não pela sobrevivente. Por você.” Cada palavra era uma lâmina dupla. Reconheci