Mundo ficciónIniciar sesiónANOS ANTES
— Filho, coloca o cinto... — A mãe de Caspian disse olhando para trás.
— Não fecha mãe, esse negócio está com problema. — Caspian largou o baralho no banco e tentava novamente fechar o cinto de segurança, o garoto de 16 anos estava à caminho da universidade em Londres, mesmo sendo um pouco cedo ele iria conhecer seu futuro lugar de estudos.
Caspian estava sempre com um baralho na mão, adquiriu essa prática depois que seu pai o levou a uma loja de mágica anos atrás, o menino ficou fascinado com os truques, muitos o pai ensinou, outros mais ousados ele aprendeu sozinho na internet e gostava de impressionar os pais e o irmão com a sua habilidade.
A família Escocesa se preparava para enviar seu segundo filho para universidade em Londres, Dominic o irmão mais velho de Caspian já estudava na Imperial College of London e Caspian seria o próximo filho da família Dark a estudar lá, talvez em um ano ou mais ele iniciaria sua graduação.
— Não se preocupe querida, já estamos chegando, só mais alguns minutos. — O pai disse à esposa, e sorriu para Caspian pelo retrovisor.
Depois disso as lembranças de Caspian se misturavam, nada parecia fazer sentido. Por mais que ele tentasse, seu corpo estava pesado, sentia dor em cada parte de seu corpo, como se tivesse sido golpeado inúmeras vezes.
Caspian viu o sangue pingar de sua testa e sua mão apoiada no asfalto igualmente machucada, cartas manchadas do baralho estavam espalhadas à sua volta, via também o carro de cabeça para baixo e o sorriso da mãe para ele pelo vidro do passageiro, a expressão doce dela em contraste com o sangue que escorria em sua face o fazia sentir-se angustiado, parecia uma despedida e sim, ela estava dizendo adeus ao seu filho. Depois ele viu fogo, muito fogo e suas últimas lembranças eram as sirenes dos bombeiros e ambulância que se aproximavam.
Antes de fechar os olhos Caspian teve a impressão de ver uma mulher vestida de branco, ele pensou por um segundo ser um anjo, um anjo em forma de uma mulher loira, mas ele não conseguiu ver seu rosto, apenas a silhueta esbelta em um vestido tão branco que parecia iluminar o caos daquele momento e os cabelos, loiros claros levemente ondulado. Ela se aproximou e virou a carta que havia caído próxima à mão de Caspian, a dama de copas estava desenhando a sua sorte.
Caspian não processou o acidente de imediato, ele acordou uma semana depois no hospital ao lado do irmão mais velho, Dominic.
— Mãe... Mãe... — Caspian chamava agitado como em um sonho ruim.
— Caspian, acorde! — Dominic disse e ele acordou. — Finalmente meu irmão, eu não podia perder você também.
Dominic disse com pesar, sua expressão abatida denunciava sua dor, ele o abraçou, Caspian estava confuso, ele olhou em volta e notou que estava em um quarto de hospital, ele buscou na memória o que havia acontecido, mas nada fazia sentido.
— Dominic onde está a nossa mãe, e o papai? O que aconteceu? — Caspian perguntou aflito.
Dominic suspirou, ele sentou-se novamente na cadeira de visitante e segurou a mão do irmão. Não esperava dar uma notícia tão triste para um jovem ainda cheio de sonhos como Caspian. Seu coração estava despedaçado pelo que tinha que revelar, ele teve que passar sozinho por todo processo, pelo menos agora tinha alguém com quem dividir sua dor.
— Vocês estavam vindo para conhecer a universidade, houve um acidente na rodovia e o carro capotou, você estava sem cinto e acabou sendo arremessado pelo vidro traseiro e… — Dominic parou de falar, ele não era um homem de chorar, mas naquele momento conter as lágrimas era quase impossível. — Depois o carro explodiu, sinto muito, mas nossos pais não sobreviveram.
Caspian gritou em desespero, sentiu como se uma lâmina rasgasse seu peito, nunca imaginou perder pessoas amadas assim, tão cedo, sua mãe era a mulher mais doce que ele já conheceu, nunca no mundo ele viu um coração com tamanha bondade e amor, o pai dizia que a mãe tinha o coração de um anjo e por isso era tão bondosa. O pai era firme como um mafioso tinha que ser, mas também era um amigo, uma inspiração de caráter, foi o pai que lhe deu o primeiro baralho, aquele que Caspian carregava no momento do acidente. Caspian e Dominic tinham uma família feliz e lamentavam que tudo de bom que viveram estivesse agora no passado.
Agora Caspian só tinha o irmão Dominic, eram dois jovens soltos no mundo sem saber para onde ir.
— Caspian, temos visitas... — Dominic disse e chamou alguém no corredor. Caspian se esticou para ver quem era, por um momento pensou que seu anjo, sua dama da sorte pudesse ser uma médica, ou alguém que presenciou o acidente e agora estava ali por ele.
Sua esperança se foi, quando ele viu o homem alto entrar, ele tinha uma expressão fechada e Caspian podia jurar que o viu se abaixar um pouco para passar pela porta.
— Caspian Dark? Eu sou Argos Light, o chefe do seu pai. Já falei com o seu irmão sobre o acidente e como vamos proceder. Quero apenas oferecer minha ajuda à você. Você e seu irmão estão sob minha proteção e investigarei o acidente do seu pai, acharei o culpado nem que seja no inferno.
Caspian apenas concordou com a cabeça, ele estava zonzo dos remédios e ainda não compreendeu muito bem do que Argos estava falando.
A família Dark era associada à máfia Inglesa, eles eram assassinos de aluguel, o pai era discreto em seu ofício, mas o exercia muito bem, sua especialidade era a fabricação de explosivos, ele conseguia fazer um artefato capaz de causar desde uma pane elétrica até a destruição de um bairro inteiro.
A conversa com Dominic foi sobre assumir o lugar do pai, além de um estudante brilhante, ele já fazia alguns serviços do tipo e agora ele e Caspian tinham que assumir a função.
— Dominic, a moça loira, a moça vestida de branco, ela está nesse hospital? — Caspian perguntou e Dominic coçou a cabeça. Ele não soube de ninguém com esse perfil, pensou apenas que Caspian estava delirando.
Caspian teve alta poucos dias depois e nem pôde se despedir direito dos pais, o enterro aconteceu quando ele ainda estava no hospital. Com certeza faria uma visita ao túmulo recém feito para a família em Londres.
— Chegamos... Essa é a sua nova casa. — Dominic disse ao abrir a porta.
Caspian olhou em volta e achou tudo muito frio, a casa moderna no novo país em nada lembrava a aconchegante Escócia que ele tanto gostava, mas o que deixava o ambiente pouco convidativo era a ausência dos pais.
— Nunca vou me acostumar com isso Dominic, nunca! — Caspian disse e chorou, não pensou que sua vida pudesse mudar tanto em tão pouco tempo. Nunca se imaginou sem aqueles que amava tão cedo.
— Pois se acostume! É um homem agora!







