Mundo de ficçãoIniciar sessão
“Você não será entregue a um homem bom, capaz de te amar. Seu destino, Selena, é um monstro que vai te destruir...” ela ouvira em sua mais uma vez antes de sair do banheiro da suite em que dormia.
Ouviu isso até mesmo no dia de seu casamento. Agora que vivia com Caspian temia o momento em que isso se tornaria real. Selena resistia. As palavras do irmão Logan ecoavam em sua mente como um veneno. “Ele matou nossa mãe, Selena. Ele destrói tudo que toca. Não se deixe enganar por um momento de gentileza. Ele é um monstro.” Logan, o irmão mais velho que sempre a protegeu, jurara que a tiraria dali. “Vou invadir aquela casa se for preciso. Vou te salvar dele.” Mas os dias passavam, e Caspian não agia como monstro. Selena sentia o medo se desfazer aos poucos, como névoa ao sol da manhã. O que começou como resignação transformou-se em curiosidade. Depois, em algo mais perigoso: desejo. Até que finalmente... Selena cedeu. Uma noite, após um jantar silencioso, Caspian finalmente disse as palavras que mudaram tudo. — Eu te amo, Selena. — Saiu de seus lábios e isso a fez ceder. Ela congelou, o copo de vinho tremendo em sua mão. Amor? De um homem como ele? As histórias do irmão gritavam dentro dela: mentira, armadilha, manipulação. Mas os olhos de Caspian não mentiam. Havia uma sinceridade crua ali, uma entrega que nenhum monstro seria capaz de fingir. — Eu tinha medo de você — confessou ela, com a voz baixa, quase quebrada. — Medo pelo que meu irmão me disse. Mas quando você disse que me amava... eu não podia mais acreditar que você era esse monstro. Ele não respondeu com palavras no início. Apenas se aproximou, devagar, como se temesse assustá-la. Beijou-a com uma ternura que contrastava com sua reputação. Depois, colocou uma mecha rebelde de cabelo atrás da orelha dela e encostou a testa na sua. Ficaram assim por longos minutos, respirando o mesmo ar, os corações batendo em um ritmo que parecia sincronizar-se. Caspian inspirava fundo, como se aquele contato fosse o único lugar onde ele permitia-se ser humano. — Sou sim um monstro — murmurou ele por fim, a voz grave ecoando no peito dela. — Não me chamam de Mago da Morte à toa. Mas não é esse homem que eu trago para você, Selena. Para você, eu sou apenas Caspian. Seu marido. O homem que te ama, meu anjo. Havia sombras profundas ao redor deles, segredos de família, vinganças antigas, um passado manchado de sangue. Mas naquele momento, ela escolheu ignorá-las. Escolheu viver o casamento. Escolheu deixar o amor crescer, mesmo sabendo que ele poderia queimá-la. Naquela manhã ensolarada, após a sua primeira noite de amor, sua primeira entrega. Selena vestiu apenas um roupão leve de seda, o cabelo ainda úmido do banho. Caspian a observava com aquele olhar faminto e ao mesmo tempo reverente. O ar entre eles crepitava de uma intimidade nova, conquistada com paciência e confiança. — Como você está? — perguntou ele, a voz rouca de preocupação e desejo. — Sente dor? Ela negou com a cabeça, sorrindo timidamente. — Não... Estou bem. Ele se aproximou, as mãos grandes deslizando pelo tecido do roupão, traçando contornos suaves sobre sua pele. Não era pressa. Era adoração. Selena sentia o coração acelerar, o corpo responder com um calor que se espalhava por todo seu ser. Caspian se inclinou, beijando seu pescoço de forma lenta. As palavras saíam baixas, carregadas de emoção: — Depois de tudo... você ainda confia em mim? — Sim — sussurrou ela, passando os braços ao redor do pescoço dele. — Eu confio. Ele a puxou para mais perto, os corpos se encaixando em uma dança lenta e íntima. Selena fechou os olhos, entregando-se ao prazer que crescia devagar, ao sentimento de pertencimento que finalmente preenchia o vazio que o medo deixou. Pela primeira vez, ela imaginou um futuro: manhãs como aquela, noites de conversa profunda, um amor que sobreviveria às sombras do passado. Mas o passado nunca dorme. Um estalo seco, agudo rasgou o ar. O corpo de Caspian estremeceu violentamente contra o dela. Seus olhos se arregalaram em choque, a boca entreaberta em um suspiro silencioso. — Você me traiu... Usou o que eu sinto para... — Ele vacilou, as mãos ainda segurando-a com fraqueza, antes de tombar pesadamente no chão de madeira. Selena sentiu o mundo inclinar-se. O tempo pareceu parar enquanto o cheiro metálico e quente de sangue invadia o ar. — Caspian! — Selena gritou desesperada . Ela se ajoelhou ao seu lado e viu a poça de sangue se formar ao redor dele. — Finalmente... — ecoou uma voz fria, triunfante, vinda da porta entreaberta. — Que situação deplorável para morrer, Caspian Dark. Logan estava ali, arma ainda fumegante na mão, um sorriso vitorioso nos lábios que Selena conhecia desde a infância. O coração dela se despedaçou em mil pedaços. Seu marido, homem para quem foi entregue por meio de um contrato havia sido baleado após ter decidido o amar...






