Marina estava de joelhos no tapete da entrada quando a sorte - ou o azar - resolveu visitá-la.
Não que ela estivesse procurando por problemas. Na verdade, ela estava procurando pelo sapato esquerdo de Clara.
A irmã mais velha tinha o hábito irritante de deixar os sapatos espalhados pela casa como se fosse uma criatura em migração. Sandálias na sala, rasteiras no corredor, scarpins na cozinha - como se andar até o armário exigisse um esforço sobre-humano.
Marina, por sua vez, tinha o hábito igua