Capitulo 7 - Mercado Negro

No Mercado Negro o ar era denso, saturado pelo odor de mercadorias contrabandeadas e suor.

Callun caminhava entre as barracas com os ombros tensos, cada músculo de seu corpo pulsando sua fúria contida.

Três dias. Ele passara três dias rastreando ela, sentindo o vazio no peito que a ausência daquela ômega estranhamente lhe causava.

Ao seu lado, Asher mantinha o olhar clínico, analisando as rotas de fuga, enquanto Yukio brincava com um isqueiro, embora seus olhos estivessem afiados, prontos para qualquer situação.

— Vamos nos separar. — Callun falou com a voz saindo como um rosnado baixo. — Ash cubra o flanco leste e Yuki verifique os galpões de carga no oeste. E se sentirem o cheiro dela, não hesitem. Ajam primeiro, falem depois.

— Entendido, Alfa. — Asher murmurou, já se misturando à multidão de figuras encapuzadas.

— Pode deixar, chefinho. Se eu achar o desgraçado que tocou na princesinha, ele vai desejar nunca ter nascido. — Yukio deu um sorriso que não alcançou os olhos antes de desaparecer entre as sombras de um beco.

Callun continuou sozinho.

A cada passo, a angústia em seu peito aumentava.

Ele parou diante de uma pequena banca de tecidos mofados e jogou uma moeda de prata para o vendedor, pegando um lenço de seda preta, o amarrando parcialmente sobre o rosto, deixando apenas os olhos de fora.

Como um Alfa, ele não deveria ser visto naquele lugar, mas a sua alma gritava para que cagasse para o protocolo.

Ele avistou um prédio decrépito no final de uma viela, com janelas pregadas e uma fila de homens mascarados entrando.

O cheiro de podridão ali era mais forte, mas, por trás dele... ele reconhecera de imediato um rastro doce.

“- Achei. Prédio aparentemente abandonado ao sul da praça principal. Venham agora” - ele disparou o comando mental para Asher e Yukio.

Ao entrar, a penumbra o envolveu.

O salão estava lotado de homens e mulheres com capuzes e máscaras, então Callun se posicionou nas sombras, com o coração martelando contra o peito.

Então, as luzes se acenderam no centro do palco improvisado quando o som de correntes sendo arrastadas no chão de madeira ecoou, com um ruído que fez o lobo de Callun arranhar suas entranhas.

Dois homens brutamontes arrastaram uma figura para o centro.

A sua pequena fêmea estava algemada pelos pulsos por uma algema de metal avermelhado que brilhava com uma luz sinistra que, como alguém nascido de uma lua especial, reconheceu na hora como o Rubi de Sangue, que anulava os dons de quem os possuísse.

Ela usava uma lingerie sensual prateada sobre sua pele, realçando cada curva, fazendo com que seus olhos violetas ganhassem uma intensidade hipnotizante.

Ela estava amordaçada, mas seus olhos não demostravam derrota, mas sim puro fogo.

Callun travou, sentindo o corpo formigar quando de repente, um uivo ensurdecedor ecoou em sua mente.

“- Companheira! É a minha companheira!” - seu lobo gritava com força, quase o fazendo perder o equilíbrio.

Ele ficou confuso com a mente girando.

“- Como? Eu já haviam estado com ela antes, e até a possuí em uma das duas ocasiões, mas você havia ficado em silêncio daquelas vezes.”

Ele questionou seu lobo que apenas corria em círculos em sua mente.

“- Por que só agora? Seria a gravidez? Será que ela de fato carrega o meu filhote e isso acabou despertando o novo laço? Não. Isso não faz sentido. Nunca aconteceu isso antes com licano algum. Ao menos, nunca foi relatado a nenhuma das matilhas sobre isso.”

Seu olhar se voltou para os carcereiros e um deles tinha um hematoma roxo e inchado no olho esquerdo, fazendo Callun sorrir divertido, sentindo um lampejo de orgulho.

“-Foi você, não foi, pequena?”

O chefe dos mercadores, um homem gordo com dedos cheios de anéis, subiu ao palco com um sorriso asqueroso.

— Senhores, acalmem-se!

Ele exclamou, rindo das gargalhadas e do interesse da plateia.

— Sei que ela parece um anjo, mas não se enganem. Essa ômega tem o gênio de um demônio. E até tivemos que usar o Rubi de Sangue para selar os seus poderes, pois a gracinha aqui nasceu sob uma Lua Especial e pode ficar invisível, acreditam? Quase perdemos a mercadoria duas vezes!

O mercador aproximou-se de Octávia, tocando levemente em seu ombro.

Ela tentou mordê-lo através da mordaça, e ele recuou, rindo.

— Vejam como a beleza dela se realçou com um banho e as roupas certas.

Ele fingiu falar como se fosse se confessar.

- Vou admitir, eu não dava nada por essa coisinha quando a pegamos, mas ela é um diamante bruto. E se não fossem os negócios, eu mesmo a pegaria para meu uso pessoal por uma noite ou duas.

O rosnado de Callun foi abafado pelo burburinho da plateia, enquanto suas unhas cravaram-se na palma das mãos.

— Vamos começar o leilão por essa beleza de escrava de luxo! Eu ia deixar para o final, mas vocês pediram tanto que eu arrumei outro item para o final.

O mercador gritou.

— Linda, fértil e com o poder da Deusa da Lua! O lance inicial é de dez mil moedas de ouro!

— Quinze mil! — gritou um homem gordo na frente.

— Vinte mil! — berrou outro, com uma máscara de porco.

Callun deu um passo à frente, saindo das sombras.

— Ela é minha.

Sua voz saiu fria e ameaçadora, mas plateia rompeu em gargalhadas enquanto o mercador limpou uma lágrima de riso do olho.

— "Sua"? Ora, meu caro cliente, aqui nada é de ninguém até que o ouro mude de mão. São apenas negócios. Se a quer, pague!

— Trinta mil! — o homem de máscara de porco desafiou, olhando para Callun com deboche.

Callun não hesitou, sem se importar com o valor.

Ele só via a sua pequena companheira, que o encarava do palco, confusa, sem reconhecer o homem por trás do lenço.

— Cem mil moedas de ouro. — Callun sentenciou.

O silêncio caiu sobre o salão como um caixão de chumbo, enquanto os outros clientes empalideceram.

Cem mil era uma fortuna capaz de comprar uma pequena cidade.

O mercador arregalou os olhos, a ganância brilhando mais que seus anéis.

— Cem mil... — o leiloeiro gaguejou, batendo o martelo rapidamente antes que o comprador desistisse. — Vendida para o senhor do lenço preto!

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