Sage
Pequenas mudanças se espalharam pela alcateia nos dias que se seguiram ao envenenamento. Os lobos ainda cochichavam quando eu passava, mas alguns agora inclinavam a cabeça com respeito. Os guerreiros que salvei faziam questão de me cumprimentar em público. Suas famílias enviavam agradecimentos discretos por meio de Iris.
Mas, à noite, quando ficava sozinha com meus pensamentos, a dúvida se infiltrava como veneno. Eu sabia quem era agora — uma curandeira, alguém que salvava vidas. Mas e antes? E as memórias presas atrás daquela muralha escura na minha mente?
— Você está remoendo de novo — Declarou Iris, ao me encontrar no jardim. — Dá quase para sentir o cheiro da dúvida.
— Você não duvidaria? — Toquei uma pétala de lótus lunar. — Todos continuam falando sobre como eu conheço bem os venenos, como os reconheci com facilidade. E se…
— Não. — Ela segurou minhas mãos. — Não deixe que as acusações deles façam você duvidar de si mesma.
— Mas é exatamente isso. Eu não sei quem eu era. Nã