O som das furadeiras e o cheiro de cimento fresco eram música para os ouvidos de Ísis. No centro do grande galpão, ela observava as paredes brancas que em breve abrigariam as cores de sua alma. A jornada era exaustiva — as náuseas matinais e o cansaço da gravidez lutavam contra sua energia criativa —, mas Ísis nunca se sentira tão viva.
— Duas semanas, dona Ísis — disse o mestre de obras, limpando o suor da testa. — Em duas semanas, entregamos a chave.
Ísis sorriu, sentindo um chute discreto no ventre, como se o bebê também celebrasse. Ela queria espalhar arte por cada fresta de Valverde do Sul, transformando aquela cidade cinzenta e conservadora em um museu a céu aberto.
Ao retornar para o loft — que agora funcionava estritamente como seu santuário criativo —, ela se posicionou diante de uma tela monumental em branco. Diferente de suas obras anteriores, carregadas de melancolia e tons terrosos, esta começou a ganhar vida com azuis profundos, dourados e toques de branco perolado. Era