O galpão industrial estava irreconhecível. A iluminação cênica, em tons de âmbar, transformava as paredes descascadas em uma textura de história e sofisticação. O murmúrio constante de centenas de vozes, o tilintar de taças e o aroma de sucesso preenchiam o ar. Leo e Eleonor trocavam olhares radiantes; os lances para as primeiras telas já haviam superado todas as expectativas financeiras. Ísis não estava apenas arrecadando fundos; ela estava provando que Valverde do Sul tinha sede de cultura. A semente da nova galeria já estava germinando no solo fértil da admiração pública.
Ísis circulava entre os convidados com um vestido preto minimalista, deixando que suas cores estivessem apenas nas paredes. No entanto, seus passos pararam quando ela viu uma figura alta e imponente parada diante da peça central da noite.
Giorgio estava imóvel. Seus olhos cinzentos estavam fixos na tela que Ísis pintara inspirada naquela noite de amor aos dezoito anos. As cores — o azul profundo e o laranja incand