Isadora
Dormir no quarto de Sofia foi bom por um lado, por outro foi péssimo. Estava toda quebrada e dolorida. Fui ao meu quarto, estava arrumado demais, como se ele tivesse saído ainda de madrugada. Não houve bilhete, nem mensagem. Apenas o silêncio elegante de quem já estava de volta ao mundo onde tudo era decidido em salas envidraçadas.
Troquei de roupa devagar, sentindo o corpo ainda pesado da noite anterior — não pelo cansaço, mas pelo atrito e pela cama de Sofia que não me ajudou. Pela tensão que não se resolveu. Pela provocação que eu iniciei e que ele aceitou com fome demais, como se ainda acreditasse que o desejo fosse capaz de costurar qualquer rasgo.
Desci as escadas já vestida, encontrando a casa desperta.
Beatrice estava na sala, sentada com a postura impecável de sempre, lendo algo no tablet. Os avós de Rafael ocupavam o sofá oposto, dividindo um jornal e comentando baixinho sobre política, economia, memórias que não me incluíam. Mesmo assim, sorriram ao me ver.
— B