Rafael
O cartório tinha cheiro de papel velho e ar-condicionado exagerado. Nada ali parecia feito para marcar começos — só finais organizados, reconhecidos em firma. Ainda assim, era ali que eu estava, de caneta na mão, assinando meu nome como quem fecha um contrato importante demais para ser questionado.
Isadora estava ao meu lado. Vestido simples, cabelo preso de um jeito que denunciava mais nervosismo do que escolha estética. Nenhum sorriso ensaiado, nenhuma troca de olhares cinematográfica. Só dois adultos fazendo algo grande demais em silêncio.
— Pode assinar aqui também, senhora — disse o funcionário, protocolar.
Senhora.
A palavra bateu estranho.
Quando ela terminou de assinar, empurrou a caneta de volta para a mesa com cuidado excessivo, como se qualquer movimento brusco pudesse quebrar alguma coisa invisível entre nós.
Estava feito.
Casados no civil.
Simples. Rápido. Oficial.
Sem aplausos, sem testemunhas emocionadas. Apenas um acordo registrado enquanto os preparat