Isadora
Eu li o contrato de casamento que Eduardo havia redigido. Ele realmente havia tentado me proteger: cláusulas claras sobre a separação de bens, o valor exato dos dois milhões de reais.
Eduardo era um anjo, mas ele estava servindo ao demônio.
Olhei para a janela. O alvorecer chegava, pintando o céu da casa de campo em tons pálidos e esperançosos, mas meu coração estava um peso de chumbo. Dois milhões de reais. Um ano de farsa. A segurança de Sofia.
A fúria da noite anterior contra Rafael e sua mãe havia se dissipado, substituída por uma resignação fria. Eu não tinha escolha. Não se eu quisesse olhar no espelho e saber que tinha feito tudo para proteger a única coisa boa que me restava: Sofia. Além disso, o dinheiro garantia minha liberdade para recomeçar minha vida, longe de qualquer dívida ou agiota.
Levantei-me, o corpo pesado. Peguei o contrato, a cópia de Eduardo, e segui para a cozinha. Eu não ia fugir. Eu ia enfrentar a tempestade.
Rafael estava na varanda envidraçad