Isadora
O Instituto Horizonte cheirava a futuro. O cheiro de pó de gesso e verniz fresco era, para mim, o perfume mais caro do mundo. Eu caminhava pelo que seria a futura biblioteca, acompanhada por Mariana, Clara e o arquiteto, um homem entusiasmado chamado Márcio que não parava de gesticular sobre a "fluidez do espaço".
Foi ali, entre uma explicação sobre iluminação zenital e a cor das estantes, que eu senti.
Não foi um grito, foi um sussurro. Uma pontada surda no baixo ventre, como se o Arth