Rafael
A luz da manhã em Londres não era dourada como a de São Paulo; era um tom de prata pálida que se infiltrava pelas frestas das cortinas de veludo, iluminando a poeira que dançava no ar e o caos de roupas espalhadas pelo tapete. Mas, dentro daquele quarto, o calor era absoluto.
Eu acordei sentindo o peso reconfortante de Isadora contra o meu peito. O lençol de fios egípcios estava emaranhado em nossas pernas, e o cheiro dela — uma mistura de baunilha, suor e do frio da rua que ainda pare