O convite chegou com antecedência suficiente para não permitir recusa.
Não era um daqueles convites genéricos, enviados em massa, que se perdem entre compromissos. Era pesado. Literalmente. Papel espesso, timbre em relevo, um envelope que parecia exigir atenção antes mesmo de ser aberto. Um leilão beneficente anual, daqueles que concentram todos os nomes que importam — e, principalmente, os que precisam parecer importar.
Lorenzo não costumava recusar esse tipo de evento. Não porque gostasse, mas porque entendia o valor simbólico deles. O que tornava aquele convite diferente era uma palavra específica, posicionada de forma estratégica no rodapé:
Acompanhante.
Ele não comentou quando me mostrou o envelope. Apenas o deixou sobre a mesa da sala, aberto, alinhado com cuidado, como se o papel pudesse explicar sozinho o que estava sendo proposto.
— Vai ser grande — disse, depois de alguns segundos.
Não soou como aviso.
Soou como diagnóstico.
— Público — respondi.
— Muito.
A noite chegou sem