Magdalena
Hoje faço trinta e cinco anos.
Não tem bolo, não tem velas, nem mesmo um parabéns sincero. Apenas o som constante da cachoeira e o peso familiar e reconfortante da solidão que aprendi a carregar como um casaco velho. Sentei-me na borda da água, com as pernas mergulhadas até os joelhos, sentindo o frio subir pela pele. A blusa preta molhada gruda no corpo, mas não me importo. Aqui ninguém me vê. Aqui posso ser apenas eu.
Fecho os olhos e deixo o barulho da queda d’água abafar as memóri