Mundo ficciónIniciar sesiónGabriela
Já tem uma semana que estou cuidando do pequeno Vic, que de pequeno não tem nada. Até o momento ele não tentou me morder, e nem fazer nada que eu pudesse achar estranho. Ele é uma criança de ouro. É carinhoso, quer ficar o tempo inteiro no meu colo e virou meu grude. Até mesmo para dormir estou tendo dificuldades, já que ele insiste em querer ficar o tempo inteiro comigo. Valéria disse que isso é muito estranho, e que talvez ele esteja me associando à sua falecida mãe, o que não faz sentido já que meu cheiro provavelmente é diferente do dela.
Ainda não encontrei meu patrão, o senhor Ethan, mas sei que ele não está na propriedade já que teve um imprevisto e teve que viajar no mesmo dia em que havia voltado.
Por um lado fico tranquila e consigo respirar, mas por outro acabo um pouco preocupada. E se ele não gostar de mim? Se ele me demitir, o pobre Vic vai acabar magoado, pois mesmo com tão pouco tempo ele acabou se apegando a mim de uma forma que nunca imaginei.
_ Ei ei garotão, é melhor você dormir, já está na hora da soneca! _ Falei enquanto acariciava os cabelinhos do pequeno.
Ele odeia dormir pela tarde, mas se não cochilar quem vai acabar se ferrando será eu, pois Vic fica extremamente irritado, e preciso evitar ferimentos por enquanto.
Ele deitou no meu colo, e pouco tempo depois pegou no sono.
Coloquei o garoto na cama e desci para tomar café. Encontrei Valéria na cozinha, e assim que coloquei meus pés no recinto ela estendeu uma xícara com bastante café.
Sentei-me na mesa redonda ficando de frente para ela, que parecia pensativa demais. Seus olhos pareciam brilhar.
_ Está tudo bem? _ Perguntei receosa.
_ Não. _ Ela soltou um longo suspiro encarando-me profundamente. _ Sinto que há algo de errado com alguns dos machos na propriedade. Estão agitados, com o pavio ainda mais curto e violentos.
_ Oh… isso não parece nada bom. _ Murmurei sentindo uma fisgada de medo.
_ Talvez seja por causa da lua de sangue que está próximo de acontecer, ou o cio se alastrou por aqui. _ Ela respirou fundo e fez uma careta. _ Sinto o cheiro deles daqui. _ Murmurou enojada.
_ Lua de sangue?
_ Sim. Normalmente qualquer lua cheia mexe um monte com os lobos, mas a de sangue, que acontece de sessenta em sessenta anos é ainda mais forte, e sinto que Ethan, como alfa da alcatéia e CEO dos negócios da família, ficará ensandecido sem uma fêmea.
_ Então seria melhor procurar logo uma namorada para ele, não acha ?
Valéria me encarou e começou a rir. Vi perfeitamente suas presas, que são lindas.
_ Mulher, que história é essa? Acha que shifters são como humanos, que conseguem arrumar facilmente uma namorada? _ Ela voltou a gargalhar, deixando-me um pouco desconsertada.
_ Ah… é que eu pensei que… _ Não sabia como me retratar, então preferi o silêncio como aliado.
_ Nós, principalmente os lobos, temos muitos critérios a seguir, principalmente com cheiros, textura de pele e humor. São coisas que para vocês são triviais, mas para nós são essenciais.
_ Textura de pele? _ Nunca ouvi falar sobre isso.
_ Sim. Quando um macho e uma fêmea não tem química, as coisas não seguem adiante. Tocar um macho pelo qual o meu corpo não quer reagir é como acariciar um asfalto frio. Não é bom, não tem calor e muito menos vontade.
_ Nossa, deve ser estranho.._ O máximo que me aconteceu foi não gostar do perfume do garoto.
_ Pois é, e ainda tem o cheiro… caramba, acho que esse pesa ainda mais. Às vezes tenho vontade de vomitar ao farejar alguns machos por aqui. _ Disse ela torcendo o nariz.
_ Nossa, ainda bem que eu não sinto nada disso… bem, se sem sentir eu já estou encalhada, imagina se sentisse. _ Voltamos a cair na risada até que Valéria ficou séria e se aprumou na cadeira.
Olhei em direção a porta e vi um homem alto entrando. Não conheço muito bem as pessoas daqui, até porque evito sair da mansão, mas já vi esse homem perambulando pela casa de noite um dia desses.
_ Senhoras. _ Ele deu um aceno de cabeça. _ Sinto muito interrompê-las, mas o senhor Ethan deu ordens para que a senhora Valéria me acompanhasse até os muros, preciso mostrar algo. _ Disse ele revezando o olhar entre nós duas.
Valéria não pensou duas vezes e levantou, andando na frente do homem. Ele também me deu as costas, mas antes de passar pela porta eu o vi puxando o ar com força, e em seguida olhou para mim. Meu rosto começou a ficar vermelho, porque eu sei que eles podem sentir absolutamente todos os cheiros, e isso me envergonha e assusta.
Ele me deu um sorriso, exibindo as presas enormes como se pudesse me seduzir, porém, um medo percorreu minha coluna, deixando-me paralisada.
Ele acenou novamente e saiu.
_ Credo, que bizarro… _ Murmurei.
Terminei meu café e decidi ir até a enorme biblioteca que tem na mansão. Comecei a procurar algo que tivesse a ver com a lua de sangue, mas não encontrei nada.
Frustrada, tentei pesquisar na internet, mas também não haviam grandes informações.
Bem, parece que ficarei no escuro quanto a isso, mas algo me diz que devo redobrar o cuidado daqui em diante.







