Mundo ficciónIniciar sesiónGabriela
Frustrada com a minha pesquisa que não deu certo, sentei no sofá da biblioteca um pouco pensativa. O cheiro dos livros é realmente aconchegante. Deitei meu corpo de lado, apenas para descansar os ossos.
Em algum momento me teletransportei para outro momento da minha vida, estava sonhando.
Uma lembrança distante tomou conta da minha mente, onde eu estava com meus pais. Estava feliz, conversando amenidades, mas repentinamente, tudo começou a ficar nublado, e uma nuvem escura nos engoliu por completo.
E mais uma vez aquele pesadelo se fez presente. O lobo apareceu enchendo meu corpo de arrepios, e a dor em meu braço voltou com tudo. Saltei do sofá assustada, desnorteada.
Minhas pernas começaram a caminhar sozinhas, e quando me dei conta estava no jardim, completamente suada. Olhei para o céu e já era noite. Soltei um longo suspiro.
_ Eu estou enlouquecendo? _ Murmurei para mim mesma, completamente louca.
Olhei ao meu redor e estranhei o fato de todos estarem recolhidos, e não ter ninguém andando pela propriedade. Geralmente todos estão sempre muito agitados, principalmente à noite.
Ouvi um barulho estranho vindo das árvores, e fiquei um bom tempo observando como se eu fosse adivinhar o que estava vendo.
Quando enxerguei uma pata gigante surgindo entre as árvores, e o corpo de um animal gigantesco se formando, meus pêlos ficaram arrepiados e minhas pernas bambas.
Os olhos cor de mel me fitaram e focaram, fazendo-me tremer até os fios de cabelo.
Respirei fundo, e tentei dar um passo para trás, mas lembrei de uma informação de sobrevivência. Não se corre de um shifter, de jeito nenhum, porém, é aquele ditado infeliz também: se correr o bicho pega, e se ficar o bicho come.
_ Meu Deus… _ Murmurei sentindo um suor frio escorrer pelas minhas costas.
O enorme urso começou a dar passos em minha direção, e lentamente o vi se aproximar, farejando o ar, e com certeza, farejando o meu medo também. Engoli a saliva que se acumulava na minha boca. Olhei para todos os lados, tentando achar alguém que pudesse me socorrer, mas tudo estava vazio, não havia ninguém.
_ Eu sei que você me entende, então… por favor, não se aproxime! _ Pedi educadamente.
Meu pedido não adiantou em nada, pois ele continuou se aproximando, passo após passo, até encostar o focinho enorme e molhado na minha testa.
A sensação foi de pura adrenalina, e surpreendentemente o urso não queria me fazer mal. Ele me empurrou com o focinho, fazendo-me dar passos para trás. Minhas mãos foram de encontro a sua cabeça, acariciando-o. Ele fechou os olhos para receber meu carinho.
_ Seu pelo é tão macio… _ Falei entre risos e suspiros. _ no inverno você deve ser tão quentinho.
O urso fez um barulho com a garganta, como se aprovasse as minhas carícias. Por alguns instantes esqueci completamente que esse enorme urso poderia muito bem ser um homem assustador ou estranho. Ele me cutucou novamente com o focinho, mas dessa vez no peito. Seu nariz começou a sugar o ar, e se dirigiu até meu braço que estava fervendo. Eu nunca entendi por que aquele lobo me marcou no dia do acidente, e para ser sincera, tenho medo de pensar muito, mas desde então esse ferimento sempre volta a doer.
O urso rosnou, o que me deixou assustada.
De repente ouvi outro rosnado, que não vinha do urso. Meus olhos desviaram para outro ser que aparecia na minha frente. Meus olhos ficaram arregalados, e voltei a ficar arrepiada e suada. Porém, para o meu mais completo terror, não era outro urso gigante, era um lobo, com a pelagem preta. A mesma pelagem do lobo dos meus pesadelos, e a única diferença era uma pequena mancha branca no peito, em formato sugestivo de lua.
_ Alfa…_ Murmurei.
Alguns alfas tem esse formato de lua em seus peitos, mas não são todos e li que é um acontecimento raro.
O urso murchou as orelhas, e começou a se encolher e dar passos para trás, se afastando. Enquanto isso, senti o frio percorrer os meus ossos, pois os olhos do lobo começaram a focar em mim, e não no urso.
Conforme ele se aproximava, meu coração quase saltou do peito. Tentei não encará-lo nos olhos, mas não consegui.
Com uma atitude completamente estúpida virei as costas e corri em direção a mansão. Obviamente minha ideia foi ridícula, pois em questão de alguns metros a frente ele saltou por cima de mim, fazendo-me tombar no chão. Virei-me mais uma vez para encara-lo enquanto me mostrava todos os seus dentes pontudos. E quando pensei que seria o meu fim, ele cessou os rosnados e começou a me cheirar.
_ Se-Senhor Ethan? _ A voz de Valéria me trouxe um pingo de esperança. _ Essa é Gabriela, a babá da qual falei.. _ Ele voltou a rosnar e a me cheirar.
Quando seu focinho chegou proximo da minha intimidade, por puro impulso, dei um soco no lobo gigante, que parou o rosnado para me encarar incrédulo.
_ Lobo mau! _ Repreendi. _ Mau e mau educado! _ Rosnei.
Ele continuou me olhando sem acreditar, e tomada pela raiva e vergonha, ao invés de medo, me arrastei para longe e me pus em pé. Valéria me puxou pelo braço, colocando-me atrás dela.
_ Vamos entrar, senhor Ethan, estaremos na cozinha. _ Disse ela com firmeza.
O lobo permanecia estático, em choque com a minha reação, e assim que coloquei meus pés na cozinha também fiquei.
_ Meu Deus, eu dei um soco no meu chefe… _ Falei ao bagunçar meus cabelos.
_ O que deu em você? Não pode sair a noite nesta época, os machos estão enlouquecidos! _ Repreendeu Valéria.
_ Ele vai me demitir?
_ Você deveria agradecer por estar viva, Gabriela! _ Valeria parecia realmente preocupada.
Ficamos em silêncio, e comecei a analisar toda a minha situação.
Só hoje vi dois shifters de perto. Um foi fofo, e o outro quase me jantou, e justamente esse é o meu chefe…







