Ela fica onde está.
Adrian
A casa está cheia demais.
Adultos demais para uma festa infantil. Risadas altas, taças na mão, conversas que não têm nada a ver com balões ou bolo. Aparências. Sempre elas.
Eu fico perto da parede, observando tudo como se estivesse fora da própria casa. Ajusto o relógio no pulso pela terceira vez. Não sei exatamente o que estou esperando. Só sei que estou.
Quando a porta se abre, o barulho muda.
Aurora entra primeiro.
Meu peito aperta sem aviso.
Ela vem devagar, como se soubesse que todos estão olhando. O vestido claro, o cabelo arrumado, aquele sorriso que é só dela. Princesa. Não pelo tema. Por existir.
Ela procura com os olhos.
Me encontra.
— Papi!
Corre na minha direção e se joga nos meus braços. Eu me abaixo na hora, seguro forte demais por um segundo.
— Você está linda — digo baixo, perto do ouvido dela.
— Eu sei — ela responde, orgulhosa.
Risos ao redor. Comentários. Fotos.
É aí que eu vejo.
Isadora entra logo atrás.
E tudo fica… errado.
O vestido é simples. Claro. Nada