A manhã avançou com uma normalidade ensaiada demais para ser real. A mansão seguia em funcionamento perfeito — funcionários discretos, segurança reforçada sem alarde, rotinas mantidas — mas Elena sentia, em cada detalhe, que nada ali era espontâneo. Tudo era cálculo. Tudo era observação.
Ela caminhava pelo corredor lateral com Liam pela mão, repetindo mentalmente as orientações de Anthony: passos tranquilos, olhar neutro, presença constante. Não se esconder. Não provocar. Apenas existir… como sempre existira.
— E…na — Liam disse, puxando levemente sua mão. — Água.
— Já vamos pegar — ela respondeu, sorrindo. — Você está falando cada vez melhor.
Ele sorriu de volta, satisfeito consigo mesmo.
Aquela pequena evolução — frases curtas, pedidos claros — deveria ter sido apenas motivo de alegria. Mas ali, naquele contexto, cada avanço de Liam parecia também um risco. Quanto mais visível ele ficava emocionalmente ligado a ela, mais evidente se tornava para quem observava de fora.
Elena s