A manhã seguinte amanheceu cinzenta, e Elena sentiu que o clima combinava com a forma como seu peito parecia apertado desde a conversa da noite anterior. Ela acordou antes do despertador, incapaz de voltar a dormir. A casa estava silenciosa, tão silenciosa que parecia segurar a respiração junto com ela.
Liam ainda dormia, abraçado ao ursinho azul que ela havia comprado. Elena o observou por alguns minutos antes de se afastar, com um cuidado quase ritualístico. Precisava de alguns instantes para si mesma, para pensar, para assimilar.
Dominic havia dito coisas que ela não esperava ouvir — e que, de certa forma, ela temia.
“Não consigo fingir que não sinto nada.”
A frase ecoava em sua mente como uma ameaça e um conforto ao mesmo tempo.
Mas antes que pudesse refletir mais, ouviu passos fortes no corredor. Dominic, sempre tão pontual, parecia estar caminhando direto para o quarto do filho. Elena respirou fundo, preparando-se emocionalmente para encará-lo.
Mas quando ele surgiu na porta, nã