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A Babá do CEO Fera
A Babá do CEO Fera
Por: Fernanda santos
CAPÍTULO 1 - A ENTREVISTA

Sara Mendes ajeitou o uniforme branco de enfermeira pela décima vez naquela manhã na frente do espelho quebrado do seu quartinho de 15 metros quadrados na favela de Paraisópolis.

Suas mãos suavam tanto que o currículo de três páginas já estava amassado. Na folha, estava escrito com letras garrafais: ENFERMEIRA FORMADA, 24 ANOS, EXPERIÊNCIA EM UTI E CUIDADOS DOMICILIARES.

Mas ali dentro daquela mansão de 20 milhões nos Jardins, nada disso importava.

— Próxima candidata! — gritou a secretária loira com um headset, sem nem olhar para ela.

Sara respirou fundo e entrou.

O escritório era imenso, todo de vidro e mármore preto. E no centro, de costas para ela, em uma cadeira de rodas de última geração, estava ele.

Thiago Fera. O homem que ela só tinha visto na revista Forbes. 32 anos, CEO do maior grupo hospitalar do Brasil, herdeiro de bilhões e que sofreu um acidente de helicóptero há dois anos e nunca mais andou.

Ele virou a cadeira lentamente. E os olhos dele eram ainda mais assustadores pessoalmente. Frios, cinzentos, sem alma.

— Então você é a tal enfermeira que a agência mandou? — ele disse, com uma voz grave e rouca que fez a espinha dela arrepiar. — A quinta essa semana.

Sara tentou manter a postura profissional, mesmo com as pernas tremendo.

— Meu nome é Sara, senhor. Sara Mendes. Sou enfermeira formada pela USP, com especialização em...

— Eu não quero saber do seu currículo — ele a cortou, seco. — Eu quero saber por que eu deveria te contratar quando todas as outras quatro fugiram chorando no primeiro dia.

Ele jogou quatro pastas no chão. Todas com demissão.

— Elas fugiram porque o senhor é grosso — Sara soltou, antes de pensar.

O silêncio tomou conta da sala. A secretária lá fora até parou de digitar.

Thiago a encarou por longos segundos, surpreso. Ninguém, em dois anos, tinha tido coragem de falar assim com ele.

— Como é que é? — ele perguntou, baixo, perigoso.

— O senhor ouviu — ela disse, agora já sem nada a perder. — O senhor é rico, é bonito, é poderoso, mas trata todo mundo como lixo. É por isso que ninguém fica. Não é por causa da cadeira de rodas. É por causa do seu coração que ainda está paralisado, não as suas pernas.

Ele ficou completamente imóvel. O maxilar travado.

Por um segundo, Sara achou que ele ia chamar os seguranças.

Mas então, algo inacreditável aconteceu. O canto da boca dele, que nunca sorria, deu um leve puxão para cima. Quase um sorriso.

— Interessante — ele murmurou. — Muito interessante.

Ele apertou um botão na cadeira e se aproximou dela, tão perto que ela podia sentir o perfume caro dele.

— Você tem coragem, Sara Mendes. Gostei. Está contratada. Mas vou te avisar de uma coisa...

— O que? — ela sussurrou.

— Você não vai durar uma semana aqui dentro. E quando você chorar e pedir demissão como as outras, eu vou estar aqui para ver.

Sara sorriu de volta, pela primeira vez.

— O senhor vai ter que me aturar por muito mais que uma semana, senhor Fera. Eu não desisto de paciente. Principalmente dos mais difíceis.

E naquele momento, sem nenhum dos dois perceber, o jogo entre o Fera e a Enfermeira tinha começado.

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