Sara acordou a Lara às 7h da manhã com a fantasia de borboleta azul em cima da cama.
— Hoje é o grande dia da minha princesa!
Lara esfregou os olhinhos, ainda com sono, mas quando viu a fantasia, sorriu.
— Tia Sara, o papai vai mesmo? Ele prometeu?
Sara engoliu seco. Thiago não tinha confirmado de manhã. A porta do quarto dele ainda estava fechada quando ela desceu para fazer o café.
— Se o seu papai prometeu, ele vai. Fera também cumpre promessa.
Ela ajudou Lara a se vestir. A menina estava linda, com as asinhas brilhando. Mas a cada cinco minutos, Lara corria até a janela.
— Ele ainda não desceu?
Às 8h15, Sara já estava com o coração apertado. A apresentação era às 9h.
— Vamos, amor, senão vamos nos atrasar. Seu pai encontra a gente lá.
Na hora de sair pela porta da mansão, uma voz grave veio lá de cima da escada.
— Espera.
As duas se viraram. Thiago estava descendo a escada de terno, sem gravata, e com um buquê pequeno de flores azuis nas mãos.
— Papai?
— Atrasado para a apresentação da borboleta mais bonita do mundo não pode. Você me perdoa por quase me atrasar?
Lara largou a mão de Sara e correu para o abraço do pai. Thiago a pegou no colo, com fantasia e tudo, sem se importar se ia amassar o terno.
— Você comprou flores?
— A moça da floricultura disse que borboletas gostam de flores azuis. Foi uma boa escolha? — Ele olhou para Sara.
— Foi perfeita, Fera.
No carro, Lara foi no colo de Sara no banco de trás. Na escola, o pátio estava lotado de pais com celulares.
— Onde você vai? — Thiago puxou o braço dela quando ela ia ficar no fundo.
— Ficar ali atrás com as outras babás.
— Você não é as outras babás. Senta aqui. Do meu lado.
A música começou. Lara estava nervosa, procurando alguém na plateia. Quando viu o pai e Sara juntos na primeira fila, o rostinho dela se iluminou.
Thiago, sem nem perceber, segurou a mão de Sara. Apertou forte.
Quando acabou, Lara correu do palco direto para o colo do pai, chorando.
— Você veio! Você veio mesmo, papai!
Thiago a abraçou e pela primeira vez Sara viu uma lágrima escorrer no rosto daquele homem que todos chamavam de Fera.
No caminho de volta, Lara dormiu no banco de trás com as flores azuis no colo.
— Obrigada por ter ido. Você fez o dia dela.
— Eu que tenho que te agradecer. Se você não tivesse me dado aquela bronca ontem eu ia perder isso.
— Então você admite que precisou de uma bronca da babá?
Ele riu de verdade.
— Admito que preciso muito mais que uma bronca sua, Sara. Preciso que você fique.
A mão dele largou o volante e encontrou a mão de Sara no banco do meio. Ele entrelaçou os dedos.
E dessa vez, Sara não tirou. dedos.
E dessa vez, Sara não tirou.