O som da máquina de café era constante.
Rítmico.
Quase hipnótico.
Lívia se apoiava naquele barulho para não pensar.
— Um pingado e um pão na chapa — pediu o cliente.
— Já sai — ela respondeu, automática.
As mãos se moviam com precisão.
Treinadas.
Rápidas.
Seguras.
Tudo nela funcionava.
Menos o que estava por dentro.
— Lívia, mesa três — chamou a colega.
— Já vou.
Ela pegou a bandeja.
Virou-se.
E então viu.
A televisão no alto da parede.
Ligada.
Sem som.
Mas com legenda.
E im