ABEL ARRUDA
Nesta casa, a calmaria nunca é apenas ausência de agitação; é o ensaio de um golpe. Eu aprendi a ler as sombras da mansão Castro antes mesmo de aprender a ler os relatórios financeiros do meu pai. E hoje, as sombras estavam inquietas. O ar cheirava a perfume caro e a um rancor antigo, o tipo de rancor que minha irmã, Beatriz, cultiva como se fosse uma planta rara.
Eu a encontrei no solário, observando o jardim através da vidraça. Ela segurava uma taça de vinho branco, mas não bebi