CAPÍTULO 4

~Diogo~

Eu esperaria algo assim de qualquer uma das jovens da ilha, mas não de Lya. Nunca dela.

Nós dois costumávamos zombar da classe alta e de sua hipocrisia, incluindo meu pai, e dizíamos que o dinheiro só voltava para pessoas arrogantes e gananciosas.

Quando criança, eu era quem corria maior risco de me tornar como eles, por causa das minhas origens, mas Lya me fez jurar que eu nunca faria isso, e eu jurei. Jurei por ela.

Então, quando o convite para o casamento do meu pai chegou pelo correio e eu vi o nome dela ao lado do dele, pensei que fosse uma brincadeira.

Procurei no resto da correspondência a carta manuscrita dela que deveria acompanhar uma piada como essa, mas quando não a encontrei, pensei: "certo. É o jeito dela de fazer você voltar para ilha." O que era preocupante, porque eu esperava por uma carta dela expressando esse desejo há seis anos, e ela nunca chegou. Nem mesmo em resposta às que eu lhe enviei.

Mas isto... isto deve ter sido um grito desesperado por atenção, que eu nunca pedi.

Desde criança, eu sabia que queria me casar com Lya. Tudo nela me fascinava: seu jeito de pensar, seu jeito de falar, o jeito como ela agia como se não se importasse com o julgamento alheio. Sua espontaneidade, sua honestidade, sua atitude perante a vida... De muitas maneiras, ela era tudo o que eu não ousava ser, e eu sempre a amei por isso.

Mas eu não desenvolvi sentimentos românticos por ela até os quinze anos, e eu já estava num internato nessa época. Os hormônios me atingiram como ondas quebrando sobre os navios que ousavam se aproximar da ilha, e me vi pensando na minha melhor amiga de uma maneira completamente diferente.

Em minhas fantasias, Lya cresceu comigo. Ela ficou mais alta, seus cabelos brancos mais compridos , e seu corpo abraçou a feminilidade que seus anos de adolescência lhe negaram.

Mas nada, nem mesmo a minha fantasia mais perfeita e idealizada dela, fez justiça à mulher que vi caminhando até o altar está tarde. E em direção ao meu pai.

Foi então que compreendi que tudo era verdade. Lya ia casar com ele, e obviamente estava fazendo isso por dinheiro. Pensei nisso quase imediatamente, e os sussurros da minha tia no meu ouvido confirmaram a minha suspeita.

Resisti à tentação de me levantar e interromper a cerimônia; afinal, se ela queria isso, quem era eu para tirar dela? Mas não consegui resistir à tentação de ficar para ver meu pai reivindicar os lábios que eu passei anos imaginando serem meus.

Foi o primeiro beijo dela? Provavelmente não. Lya deve ter se tornado a fantasia de muitos homens, não apenas minha. Certamente houve pretendentes antes... de casos passageiros. E talvez até...

Talvez ela nem seja mais virgem. E isso dói. Porque, embora eu tenha sido visto com algumas mulheres nos últimos anos, e até tenha transado com minha última namorada, Ofélia ... eu guardei minha virgindade para ela. E agora começo a me perguntar qual foi o sentido de tudo isso.

Quando saio da igreja, batendo as portas atrás de mim, acho que nem sei mais quem Lya realmente é. Ela alguma vez foi sincera sobre o que pensava da classe alta? Ou estava apenas esperando crescer para poder ocupar o lugar da minha mãe na cama do meu pai?

-Droga! - exclamei assim que cheguei ao meu quarto, sentindo meu coração se despedaçar em pedaços que caberiam facilmente em seu anel de casamento.

Lya... O que você fez? Murmuro para mim mesmo, acolhendo a noite como se seu manto me sufocasse, porque acontecerá hoje. É a noite de núpcias dela. Claro, meu pai a levará, e então não haverá volta.

Não. Mesmo agora não há mais volta atrás. Meu pai nunca vai se divorciar dela. Está feito.

A senhora Eva vem ao meu quarto para me convidar para jantar, mas eu recuso. Finjo estar com uma enxaqueca terrível, que inclusive uso como desculpa para não passar o resto da noite com Ofélia.

E então a senhora volta uma segunda vez. Desta vez, para me trazer chá e mencionar casualmente que Lya pareceu desapontada quando descobriu que eu não desceria. Mas não me importo, não é problema meu. Tenho certeza de que o novo marido dela a manterá entretida com as conversas leves das quais costumávamos rir.

Ando de um lado para o outro no meu quarto como um leão enjaulado, e quando a lua atinge seu ponto mais alto, decido que não aguento mais. Vou sair, esticar as pernas, tomar um ar fresco, raptar a Lya e levá-la para bem longe daqui. Qualquer coisa, só alguma coisa.

Depois de horas trancado lá dentro, abro a porta do meu quarto e ouço um rangido de madeira. Espio o corredor sem revelar minha presença e é nesse momento que vejo meu pai entrar no quarto de minha mãe.

E lá estava ela, de pé ao lado da cama, com seus lindos cabelos soltos, provocantes, e um olhar inocente no rosto... ela estava.

Eu a vejo apenas por um segundo, iluminada pela luz quente do abajur ao lado da cama, enquanto a escuridão de um corredor solitário me esconde, mas é o suficiente. O suficiente para me fazer querer ser o homem que entra naquele quarto e a faz sua. E o suficiente para que esse desejo doa mais do que qualquer outra coisa na vida.

Então espero a porta fechar e saio do meu quarto, indo para o único lugar da casa onde posso me sentir perto dela sem estar fisicamente perto. Porque é disso que preciso. Ficar longe está noite para não fazer uma besteira. E de manhã, Ofélia e eu pagaremos a balsa de volta para o continente.

E o que sinto por Lya terá o mesmo destino do velho e dilapidado mirante que escalo para me lembrar dela. Cairá em desuso, porque não é mais necessário e não serve para nada.

Tento não pensar no que meu pai deve estar fazendo com ela no quarto enquanto abro uma das janelas e me deixou envolver pela brisa salgada que vem do mar, mas é impossível.

Acaricio a moldura da madeira, pensando em sua pele, e sussurro seu nome para a noite, imaginando que o estou sussurrando em seu ouvido. Fecho os olhos e quase consigo vê-la embaixo de mim, perdida em puro prazer... e então suspiro.

Preciso parar de fantasiar com ela. Preciso tirá-la da minha cabeça o mais rápido possível e aceitar que a vejo apenas como a mulher que se casou com meu pai por dinheiro, não como minha amiga de infância, por quem me apaixonei sem que ela suspeitasse de nada.

Penso nisso quando ouço a porta do sótão abrir abruptamente e, de repente, uma figura branca se chaca contra meu peito.

E é ela.

Lya perde o equilíbrio, suas costas batem em outra janela no espaço confinado, e eu ainda estou atordoado quando o rangido da madeira me faz agir instintivamente e segurar seu braço.

Seu corpo é leve e tão quente quanto eu imaginava, mas o que eu jamais esperava para o nosso primeiro encontro era que ela estivesse nua.

Seu camisolão está rasgado ao meio, e seus seios estão completamente expostos. Sinto o calor subir as minhas bochechas, é mesmo me odiando por isso, bastante um olhar fugaz para memorizar o formato de seus seios e o delicado rosa de seus mamilos.

"Diogo? É você?" ela pergunta, sem nem sequer ter conseguido se cobrir ainda, e eu sei que estou perdido.

Sua voz me enfeitiça com o canto de uma sereia, e eu sei que nada no mundo me faria desistir dela agora.

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