Kael não dormiu naquela noite.
Ficou na varanda, olhos fixos no horizonte sul, cada músculo tenso como corda prestes a se romper.
Raia encontrou-o nas horas antes do amanhecer.
- Você precisa descansar
-Não posso.
- Kael...
-Eles vêm por você Por nossa família. E eu não... não posso deixar isso acontecer.
- Então não deixe Mas fazer isso sozinho, sem dormir, sem...
-Preciso saber mais Sobre seu pai. Sobre quem o ajudaria. Quem sabia.
-Por quê?
Os olhos de Kael brilharam não com raiva, mas com algo mais frio. Mais calculado.
-Porque se vou enviar mensagem, precisa ser clara. Precisa atingir quem merece.
-Kael, o que você está planejando?
- O orfanato Aquele lugar onde você cresceu. Quem era responsável?
Raia congelou.
- A Madre Superiora. Por quê?
-Ela sabia? Sobre o tributo? Sobre o que fariam com você?
Silêncio pesado.
Então, quieto:
- Sim. Ela sabia. Ela... ela me preparou. Dizendo que era honra. Que eu deveria ser grata. Que estava servindo propósito maior.
-E as outras crianças