Você já precisou acompanhar as batidas de um relógio quando o tempo parece correr contra a sua vontade?
Clara estava com os olhinhos brilhando quando perguntou se aquela caixa era um presente para ela.
— O que é? Deixa eu ver? Foi a minha mamãe que mandou para mim, não foi?
Tentei responder com suavidade, apesar do medo que eu sentia de que ela descobrisse sobre o tal evento. Me sentia uma criminosa enganando uma criança.
— É uma encomenda para mim, Clara.
— Posso ver?
— Quando eu for abrir eu te chamo, vossa alteza.
— Por que não abre agora?
Beijei a testa dela e afirmei tentando parecer adulta, ainda que meu coração saltasse como o de uma adolescente.
— Porque estou trabalhando e não queremos que eu seja demitida. Morreria de saudades da minha princesinha com cheirinho de queijo estragado.
Clara arregalou os olhinhos azuis com aquele jeito que me fazia derreter.
— Eu? Mentira! Passei o creme e o perfume que a mamãe me deu.
— Então acho que venceu. Já para o banho, prince