— Mundico, por que Adriano faz isso consigo mesmo? — perguntei sentada ao lado dele no degrau da varanda.
Ele não respondeu de imediato. Continuou olhando para frente, os olhos perdidos em algum ponto invisível no escuro, como quem revisita um lugar antigo. Passou a mão no bigode, respirou fundo, e só então falou:
— Hoje é o dia — sua voz era um lamento triste — O dia que ele mais odeia no ano.
Virei o rosto para ele, confusa.
— O dia de quê?
Mundico fechou os olhos por um instante, como se a l