Mundo de ficçãoIniciar sessão— Mas você não pode se apaixonar...
As palavras dele ficam suspensas no ar entre nós, pesadas, carregadas de significado.
Eu não respondo.
Na verdade… eu não consigo.
Por um segundo inteiro, minha mente simplesmente trava.
A intensidade daquele homem… me desmonta. Rouba minha fala, meus pensamentos, qualquer reação lógica que eu deveria ter naquele momento.
Eu só fico ali.
Olhando.
Sentindo.
E ele percebe.
Claro que percebe.
Os olhos dele percorrem meu rosto com uma calma perigosa, como se estivesse absorvendo cada detalhe da minha reação.
Então ele se afasta um pouco.
— Ok, Lizy… — acho melhor você ir descansar.
Ele fala com a voz controlada.
Mas cheia de intenção.
— Logo eu te encontro novamente.
Ele diz.
Aquilo não soa como um “talvez”.
Soa como uma promessa.
Ou pior…
Como uma certeza.
Eu desço do carro em modo automático.
Sem nem saber exatamente como consegui abrir a porta.
Sem olhar para trás.
Sem dizer nada.
Minhas pernas me levam até o prédio, mas minha cabeça… ainda está lá dentro, presa naquele olhar verde escuro, naquela voz baixa que ainda ecoa no meu ouvido.
“Eu quero você…”
“Mas você não pode se apaixonar.”
Eu entro no apartamento e fecho a porta atrás de mim.
Só então respiro fundo.
Como se tivesse segurado o ar por tempo demais.
— O que foi isso? — murmuro para mim mesma.
Antes que eu consiga processar… meu celular toca.
Olho o visor.
Sra. Germana.
Claro.
Ela deve estar desesperada.
Atendo rapidamente.
— Lizy, minha querida, o que aconteceu com você?
A voz dela sai aflita.
Eu fecho os olhos por um instante.
— Eu estou bem…
Mas ela nem me deixa terminar.
— Um homem muito bonito acabou de passar aqui, falando que você se acidentou!
Meu coração falha uma batida.
— O quê? Ele passou aí?
— Sim, disse que te levou ao hospital e te deixou em casa.
Eu fico em silêncio por alguns segundos.
Tentando entender.
— Eu… eu tive um pequeno acidente, uma bicicleta me acertou, mas já está tudo bem.
Explico, finalmente.
— Ah, minha querida… que susto você me deu!
Eu sorrio de leve.
— Está tudo sob controle, prometo.
Depois que desligo, fico parada no meio da sala.
Pensando.
Como ele descobriu onde eu trabalho?
Então olho para minha própria roupa.
A logo bordada.
Passione Dolce Caffè.
— Claro… — suspiro.
Estou cansada.
Confusa.
Sobrecarregada.
Vou direto para o banho, tomando cuidado com os pontos no braço.
A água escorre devagar, mas não leva embora a sensação dele.
A presença.
O toque.
A voz.
Nada vai embora.
Quando a noite chega, eu me deito sem energia para pensar mais.
Mas meu corpo não esquece.
Minha mente também não.
E quando finalmente durmo…
Ele está lá.
— Eu quero você…
A voz dele no meu ouvido.
Baixa.
Quente.
— Mas não se apaixone.
Eu acordo assustada, o coração disparado.
— Droga…
Passo a mão no rosto.
Preciso tirar isso da cabeça.
Preciso.
No dia seguinte, eu vou trabalhar.
É a única forma de me distrair.
De fingir que aquilo não aconteceu.
Chego no café, como sempre a Sra. Germana está lá.
Curiosa.
Falante.
Exagerada.
E completamente adorável.
— Deixe-me ver esse braço!
Ela diz, me puxando pela mão.
Eu rio.
— Está tudo bem, eu juro!
— Homens bonitos e acidentes… isso nunca termina bem, minha querida.
Eu ignoro o comentário.
Mas não consigo ignorar o arrepio que ele provoca.
Três dias passam.
E nada.
Nenhuma mensagem.
Nenhum sinal.
Nenhuma aparição.
E eu tento me convencer…
Que é melhor assim.
Ele é demais para mim.
Muito intenso.
Muito misterioso.
Muito… perigoso.
Eu me perderia.
Viraria apenas mais uma peça no jogo dele.
Um fantoche.
— É melhor assim — repito para mim mesma.
Mas não acredito totalmente.
No final do meu expediente, resolvo sair.
Troco de roupa no banheiro do café.
O clima está quente.
Escolho um vestido curto de verão, verde.
Ele realça meu tom de pele, destaca meu cabelo ruivo e faz meus olhos cor de mel parecerem quase verdes.
Solto o cabelo.
Ele cai em ondas até o meio das costas.
Nos pés, sandálias nude.
Simples.
Mas bonito.
Dou um beijo na Sra. Germana.
— Juízo, minha querida! — ela diz.
Eu sorrio.
E saio.
Assim que entro na praça de alimentação, vejo Alessio.
— Oi, Morango! — ele grita, abrindo um sorriso enorme.
Eu rio.
Esse apelido…
— Oi, Ale!
Ele me abraça forte.
Alessio tem vinte e seis anos e faz parte da minha vida há mais tempo do que eu consigo lembrar.
Desde os meus quinze anos.
Ele é meu porto seguro.
Depois de comermos, começamos a andar pelo shopping.
Entro em uma loja, escolho algumas coisas enquanto ele fala com a namorada.
Quando saio…
Eu sinto.
Um arrepio.
Aquela sensação de estar sendo observada.
Eu olho.
E lá está ele...
Parado.
Do outro lado do corredor.
Dante.
Os olhos presos nos meus.
Ele me avalia de cima a baixo.
Devagar.
Como se estivesse absorvendo cada detalhe.
Meu coração dispara.
Mas então…
Uma mulher se aproxima dele.
E ele sorri.
Para ela.
Meu estômago revira.
Ele olha para mim mais uma vez.
E vai embora.
Como se eu nunca tivesse existido.
— Você está bem, Morango? — Alessio pergunta.
Apenas balanço a cabeça.
Mas a raiva cresce.
Em um dia ele diz que me quer.
No outro… está com outra mulher.
E age como se nunca tivesse me visto.
Eu durmo com isso.
Acordo com isso.
E a raiva continua ali.
No dia seguinte, vou trabalhar.
Entro na cozinha sem prestar muita atenção.
Pego algumas xícaras.
Saio para colocar as xicaras no balcão.
E então…
— Seu braço está melhor?
A voz.
Grave.
Inconfundível.
Eu congelo.
Levanto o olhar lentamente.
E lá está ele.
Encostado na mesa.
Impecável.
Poderoso.
Perigoso.
E sozinho.
— O que você está fazendo aqui? — pergunto, seca.
Ele me observa.
E então se aproxima.
Devagar.
Muito perto.
— É assim que você trata seus clientes, anjo?
— Você não é um cliente!
Ele suspira.
— Eu te disse que viria...
— O que você quer?
Ele não responde.
Apenas me pressiona contra o balcão.
Meu corpo inteiro reage.
A respiração falha.
Ele se inclina.
Os lábios próximos ao meu ouvido.
— Eu quero você!
Um calor explode dentro de mim.
Mas então eu lembro.
A mulher.
O sorriso.
A forma como ele foi embora.
Eu o empurro.
— Eu não me envolvo com homens comprometidos!
Ele me encara.
E sorri.
Arrogante.
Confiante.
— Eu não disse que te quero para um relacionamento.
A raiva explode.
Eu levanto a mão para bater nele.
Mas ele segura meu pulso no ar.
Firme.
Dominante.
Ele se aproxima novamente.
Mais uma vez no meu ouvido.
E dessa vez… a voz vem baixa.
Perigosa.
— Cuidado, Lizy…







