Refeitos um para o outro

Refeitos um para o outroPT

Miih Roque  En proceso
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Resumen
Índice

As pessoas nunca entendem até onde você iria por elas, se não usar caminhos que já foram traçados. Caminhos rectos e certos. Caminhos conhecidos e completos. Mas nós, os ditos incomuns, nos aventuramos em curvas. Nossa forma de pensar nos faz pender entre o certo e incerto, conhecido e desconhecido, completo e incompleto. Vivemos em constantes tenderes e, frequentemente, atiçamos desentenderes. Quem é incomum anda em constantes inconsistências. Tem seus delitos julgados com mais insipiência e menos compreensão. Geralmente baixam nossas cabeças e quebram nossos corações, fazendo com que, de tudo isso, destilemos apenas a sensação de insuficiência, dentre várias coisas que nos façam pensar que não somos inclusos quando o assunto é possuir ou pertencer a alguém. Contudo, há sempre um porém: incomuns magnetizam-se.

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71 chapters
Prólogo
JUDITE D'MATOS  A vibração frenética dos meus pés se espalhava pelo corpo inteiro, forçando o movimento do vinho em minha taça. Eram poucas horas de madrugada quando tristeza, preocupação e um pouco de dor abdominal me amparavam. Meu estado deplorável, minha visão embaçada pelas lágrimas e os poros excitados pelo frio, sem dúvida alguma me levaram de volta às noites que pensei ter superado.  Naquele momento, através da enorme janela da sala, assisti a escuridão se dissolver no lento amanhecer, e vasculhei por algum rastro do retorno de Souza, que me deixara naquele estado depois de me ter plantado numa espera quase infinita.  São quase quatro horas, o que deve ter acontecido?, perguntava para mim mesma entre goles de vinho e soluços de choro.  Minha barriga globulosa, encapada pela beleza de um cetim vermelho-sangue, recebia carícias que esperei que fossem acal
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Capítulo 1| Judite
— Judy! — minha irmã chama por mim sobre o barulho alto.— Oi! — me viro, respondo no mesmo tom e estreito o olhar na direção dos dois frascos em suas mãos. — Isso não é extrato de morango, amor. O extrato é vermelho. — meneio a cabeça quando volto a atenção para batedeira na minha mão.— Aqui só tem estes dois: baunilha e...— lê o rótulo do outro frasco —...amêndoa.— Pergunta a mamã. — digo sem me virar.Aproximo a tigela e sem querer afundo o polegar no chantilly quase perfeito. É inevitável colocá-lo na boca, recebendo o sabor doce e a textura suave que a inunda.Fazer doces é uma terapia. Para além de me distrair das lembranças desagradáveis e ocupar minha mente, fazer doces também me permite passar mais tempo com minha família.— Judy, querem o quê?— Extrato de morango. — desligo a batedeira para que nos comuniquemos melhor — Eu comprei há uns dias.
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Capítulo 2|Judite
Sábado — Quem era? — pergunto quando guarda seu telefone de volta no bolso.  Me aproximo do fogão com uma cenoura e uma faca em cada uma das mãos. Tiro a tampa de uma das panelas e começo a cortar para dentro rodelas grossas.  — Era Luther. Ligou para dizer que já não poderemos ir para o social. Foi cancelado. Os pais do amigo mudaram de ideia.  — Ligou a dizer que já não poderão ir? Não havia dito que não vai? — Não. — mordisca a unha do seu polegar e trás o prato de vegetais descascados para perto. Lanço um beijo em agradecimento antes de perguntar: — Porquê? — Porque eu queria esperar chegar o dia para poder mentir que me senti mal na última hora. — confessa, indiferente, sem desgrudar os dentes da unha. — Cólicas? Eu usava isso. — passei o ombro pela bochecha para diminuir a comichão nela e
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Capítulo 3|Lionel
— Nós também atrasamos, então o almoço acabou por ser um jantar. No entanto, ainda assim, você continua atrasado. — Júlio eleva um pouco a voz para sobressair na roda em que se encontra. — 35 à 40 minutos. — simplesmente digo, me concentrando melhor na curva que preciso fazer. — Espero que sim. Ela não sabe que você vem. — Como assim? — confusão me enruga a testa. — Não sabe que é você quem vem. Eu não disse quem eram meus dois convidados. — Porquê? — Ela vai gostar. — faz uma pausa e parece beber algo — Não demora. — Está bem. Até já.
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Capítulo 4|Lionel
Tinha 16 anos, quando, pela primeira vez, a vi soprar a vela acesa em seu aniversário. Coincidentemente, o décimo sexto dia do penúltimo mês daquele ano, novembro. Ao som da cantiga que seus convidados entoavam fervorosamente, Judite tinha seu enorme bolo erguido à altura do rosto, usando-o como protecção contra meu olhar deslumbrado. Nossos olhos se cruzaram rapidamente. Estava tímida, embora não tenha sabido se era por minha causa ou pela atenção que sofria. Foi a primeira vez que olhei para ela com olhos diferentes, longe de nossos amigos em comum. Diferente de só mais uma amiga. A baixinha tinha o pulso à mil. Podia ver pela pulsação na base de seu pescoço brilhante por conta dos pequeninos discos de purpurina.Um pouco igual ao que acontece agora. Uma pancada de déjà vu me atinge quando Judite surge na varanda com um bolo gelado em mãos. Cobre metade do seu rosto. Todos olhares deliciam-se com a visão do doce, mas o meu é detido pela dança de seus lábios num
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Capítulo 5|Judite
Meu cérebro desperta para um dia muito quente, e minhas têmporas bombam de tal forma que me fazem amarrotar a testa e me negar a abrir os olhos. Rolo para o outro lado da cama, onde um grosso fio de luz me aquece as costas nuas. — Ah, não! — choramingo, irritada que finalmente tenho que acordar.Arrastando-me até estar sentada na cama, afago a pele aquecida, sonolenta e irritada com tanta pancada de luz. Bocejo e me livro do calor do lençol para sair da cama.Meu quarto está um forno. Preciso de um banho gelado para desfrutar dos efeitos do choque térmico. Deve ser início da tarde. 11 e quaisquer minutos, meu relógio biológico chuta. Só então percebo que dormi muito mais tempo do que imaginava que era possível. Ao tropeçar em duas embalagens vazias de sumo, solto um riso manhoso e coço meus olhos ardentes. Estou como se tivesse sido envolta por uma ressaca das boas, quando não passa de um cansaço quase injustificável
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Capítulo 6|Judite
Estou no meio de uma longa serpente de carros que fura o horizonte da autoestrada, em todas as suas faixas. A impaciência me faz contorcer os dedos dos pés e beber pelo menos 2 goles de água a cada 5 minutos. Faz mais de meia hora que entrei neste congestionamento, tentando me convencer que ainda posso chegar cedo, quando estou exactamente meia hora atrasada. Frustrada, bato na buzina e suspiro. Mais uma segunda-feira de atraso. Bebo mais um gole de água gelada e baixo meu vidro, através do qual uma rajada fria penetra. Sobre nossas cabeças, o céu está bem nublado. Hoje vai chover. O cheiro da chuva que vem é forte, o que, de alguma forma, me satisfaz. Gosto deste cheiro. A fila se move um metro para frente e eu sigo. Um guarda-chuva vermelho, com metade do nome do partido no poder exposto, no carro a minha frente, me chama atenção para uma coisa: esqueci o meu guarda-chuva. De onde estaciono o carro até onde trabalho é uma dis
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Capítulo 7|Lionel
— Nelo, voltas ainda nesta semana? — ofegante, meu irmão pergunta. — Vai depender, mas provavelmente sim. — coloco minha toalha na sacola preta e calço meus chinelos — Porquê? Está difícil a gestão por aqui? — o observo saltitar para manter o nível de adrenalina em seu corpo.— Nem por isso. Só que quando estás aqui não preciso me encarregar dos dois primeiros grupos sozinho. Ficamos por combinar os dias em que virias dar um auxílio, mas não disseste mais nada.— Esqueci. — tamborilo o dedo na têmpora — Estou dentro de uma correria que não tem me dado muito tempo livre, mas vou avaliar melhor meu programa semanal, depois digo algo antes deste sábado. — alcanço minha garrafa de água e sugo alguns goles. — Aguardo. — para de saltitar e coloca suas mãos na cintura para ajudar a controlar sua respiração — A propósito, como foi?— Como foi o quê? — confuso, pergunto ainda com a boca
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Capítulo 8|Lionel
— Vamos abrir uma garrafa de vinho? — Cléo sorri exageradamente e pede, assim que entro na cozinha, com uma garrafa de Cadão Douro na mão. — Vinho? — alinho minha camisete — Não. Devolve isso. Não vou te deixar beber no meio da semana. — Só uma taça, Lio. — estende a garrafa na minha direcção — pode gerir a garrafa, se quiser. Pego a garrafa e finjo ler o rótulo por um tempo, só para que ela se vire e eu tenha espaço de devolver a garrafa. — Desde quando você toma vinho? — Depende. — vira de costas e fica na ponta dos pés para alcançar duas taças no armário, então me viro, devolvo a garrafa a garrafeira da sala e volto. — Depende de quê? — De quem pergunta. — quando termina de lavar as taças, se vira e olha para minhas mãos vazias — Eu já devia saber. — suspira e deixa seus ombros caírem. — D
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Capítulo 9|Judite
Eu sempre tive algo com coisas coloridas, tal como a capa deste livro que tenho em mãos. Sou tão fascinada por um bom festival de cores, que sinto uma estranha vontade de comer. O mesmo já chegou a acontecer com coisas muito fofas e com pessoas muito queridas. Minha mãe teria um depoimento de pelo menos meia hora para dar, só pelos braços trincados que teve quando eu era mais nova. Consigo me conter melhor, agora, mas os padrões coloridos da capa deste livro são realmente lindos.Distraída, raspo a unha pelo canto dobrado dela. É antigo, do mesmo tempo que o li pela terceira e última vez. Molho os lábios ao som da vibração da máquina impressora, mas desperto do meu momento com o anúncio de um colega.— Estamos de saída. — para reforçar, o grupo que se recolhe junto a ele acena.— Até segunda. Bom final de semana.— Até. Obrigada e igualmente. — coloco minhas mãos sobre
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