Aurora saiu do banheiro enrolada num roupão felpudo de algodão egípcio que encontrou pendurado atrás da porta, com uma toalha seca nos braços. O vapor quente ainda escapava pela fresta, trazendo o perfume doce de sabonete caro e flor de laranjeira que inundou o quarto. Sem as camadas de pano sovado, a jaqueta gasta e a poeira da rua, a transformação era brutal. Os cabelos pretos e longos pingavam água sobre os ombros, caindo lisos até a cintura e moldando o rosto delicado, onde os olhos grandes sobressaíam, limpos e vivos. Endrick estava sentado na ponta da cama, vestindo apenas uma calça moletom cinza, mexendo no celular sem prestar atenção em nada. Quando ouviu a porta se abrir, levantou os olhos de forma displicente, mas travou o movimento no meio do caminho. O olhar dele percorreu a figura de Aurora por três segundos inteiros, absorvendo a mudança. Por trás daquela armadura de panos velhos e da miséria que a sufocava, existia uma beleza crua, elegante e impressionante. Não havia
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