A primeira manhã de trabalho começou antes do nascer do sol.Às cinco horas, Helena já estava de pé.Vestiu o uniforme que Clara lhe entregara na noite anterior, prendeu os cabelos em um coque e foi até o quarto da filha.Sofia dormia profundamente.O peito subia e descia em um ritmo tranquilo, e, por um instante, Helena apenas a observou.Naquela casa enorme, pela primeira vez em muito tempo, a filha tinha um quarto só para ela.Talvez aquele fosse o começo de uma nova vida.Ela rezava para que fosse.Na cozinha principal, Clara já organizava a mesa do café.— Pontual. Gostei.Helena sorriu.— Sempre fui.— O senhor Montenegro também.Ela apontou para o relógio.— Às seis em ponto ele desce.Às seis e cinco já estará saindo da mesa.Às seis e cinquenta entra no escritório.Às sete e meia deixa a casa.Nunca atrasa um minuto.Helena arregalou os olhos.— Tudo isso?— Depois de vinte e cinco anos trabalhando para ele, aprendi que o relógio desta casa gira conforme a rotina do patrão.P
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