Eliz,Passei dois dias sem sair do quarto, o corpo ainda dolorido de um jeito que eu não sabia se algum dia passaria por completo. Meu pai trazia comida até a porta, batia de leve, e ia embora sem insistir quando eu não respondia. Maya, no início, tentava entrar, mas depois do segundo dia parou de tentar também — acho que percebeu, do jeito que só crianças percebem certas coisas sem que ninguém precise explicar, que havia algo errado demais pra ser consertado com abraços. Foi Nora quem finalmente forçou a porta, no fim da tarde do terceiro dia, entrando sem pedir licença como sempre fazia, mas dessa vez sem o sorriso costumeiro, sem nenhuma leveza no rosto. — Chega — disse ela, sentando na beira da cama, onde eu continuava deitada, olhando pro teto como se ele tivesse alguma resposta que eu precisasse. — Você não pode ficar assim pra sempre, Liz. — Eu sei. — Sabe? — Ela ergueu uma sobrancelha, cética. — Porque não parece. Sentei devagar, o corpo ainda protestando com o movimento,
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