Theo bateu à porta do meu quarto no fim da tarde, a voz baixa quando falou através da madeira. — Kael. Lucy está aqui. Ela quer te ver. Fiquei em silêncio por um momento, ainda deitado, o corpo pesado demais pra se levantar rápido, o coração batendo num ritmo estranho diante do próprio nome dela. — Manda ela entrar. A porta se abriu devagar, e Lucy apareceu no vão, hesitante, os olhos já vermelhos como se tivesse chorado antes mesmo de chegar. Fechou a porta atrás de si, e por um longo momento nenhum dos dois disse nada, só nos olhamos através do quarto em penumbra, o silêncio carregado de tudo que não tínhamos conseguido dizer nas últimas semanas. — Você parece cansado — disse ela, por fim, aproximando-se devagar. — Estou. — Tentei sentar na cama, o esforço puxando um leve tremor pelos braços, e ela se moveu rápido, ajudando-me a ajeitar os travesseiros atrás das costas sem que eu pedisse. — Obrigado. Sentou-se na beira da cama, perto o suficiente pra que eu sentisse o cheiro
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