O despertador tocou às cinco e quarenta, mas foi o peso quente de vinte quilos de gato se acomodando em cima do peito que realmente acordou Anne. — Bom dia para você também, Oliveira — ela resmungou, ainda de olhos fechados, a mão subindo automaticamente para afagar o pelo laranja bagunçado. O gato ronronou alto, satisfeito, e esfregou a cabeça no queixo dela antes de pular da cama e sentar-se ao lado da porta, esperando com aquela paciência felina que não durava mais do que trinta segundos. — Já vou, seu chato. Anne se levantou, esticou os braços até os ombros estalarem, e seguiu para a cozinha minúscula do apartamento com o gato trotando atrás dela, a cauda espetada e satisfeita no ar. Encheu o potinho de ração, trocou a água, e ficou ali por um instante, encostada no balcão, olhando pela janela a luz ainda fraca da manhã se espalhando sobre os telhados vizinhos. Era nesses minutos, antes de qualquer coisa acontecer, que ela mais gostava do próprio dia. Tomou banho, fez o
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