Scarlett Monroe aprendeu cedo que algumas casas não precisavam de grades para parecerem prisões.A mansão Monroe ficava no alto de uma colina em Newport, Rhode Island, com vista para o Atlântico e jardins que pareciam cuidadosamente desenhados para enganar qualquer visitante. De fora, tudo ali ainda sugeria poder: as colunas brancas, os vitrais franceses, o mármore claro da entrada, os lustres importados e o som distante das ondas quebrando contra os rochedos.Mas Scarlett conhecia os sinais da decadência.Conhecia o eco frio dos corredores porque metade dos empregados havia sido dispensada nos últimos seis meses. Conhecia o cheiro de flores caras que sua mãe insistia em manter na sala principal, mesmo quando as contas médicas se acumulavam sobre a escrivaninha do escritório. Conhecia o brilho polido dos móveis antigos, preservados como relíquias de uma grandeza que a família já não tinha dinheiro para sustentar.E, acima de tudo, conhecia o silêncio.O silêncio de sua mãe quando os t
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