O almoço de domingo na mansão dos Alencar tinha gosto de areia para Nicholas. Sentado à mesa de mármore na varanda gourmet, ele encarava o avô, Augusto Alencar, que bebia seu vinho calmamente. Nicholas tinha dedicado os últimos cinco anos da sua vida àquela rede de hotéis de luxo. Ele não tinha finais de semana, não tinha férias. Ele vivia para os negócios. — Você está deixando os investidores nervosos, Nicholas — Augusto começou, deixando a taça de lado. A voz do velho era mansa, mas carregada de veneno. — O mercado de hotelaria de luxo não quer ver apenas relatórios financeiros perfeitos. Nós vendemos experiências, sofisticação, tradição. E a imagem pública do meu CEO é a de um homem frio, um solteirão que só sai em colunas de fofoca por passar a noite trancado no escritório. Nicholas soltou os talheres, o som do metal batendo no prato quebrando o silêncio da varanda. — Os investidores estão recebendo doze por cento a mais de lucro neste trimestre, avô. Se eles estão nervos
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