O som da própria mentira é uma melodia que a elite aprende a reger desde o berço.Da coxia escura do palco, envolta nas sombras das cortinas de veludo pesado, eu assisti ao meu pai reger a sua obra-prima. Augusto Monteverde estava posicionado atrás do púlpito de acrílico transparente. Atrás dele, um telão de LED de vinte metros de largura exibia a logomarca dourada da Construtora Monteverde em resolução 4K. À frente dele, o auditório fervilhava com mais de mil pessoas.A primeira fileira era um desfile de poder: ministros, o governador, senadores da república e Renato Lacerda, o meu noivo suado e pálido, com o braço engessado descansando no colo. Atrás deles, o mar de jornalistas. Câmeras de emissoras do país inteiro, luzes vermelhas piscando, transmitindo o evento ao vivo em rede nacional e canais de notícias 24 horas."O terror", a voz barítona e embargada de Augusto ecoou pelas centenas de caixas de som do auditório, "é um intruso covarde. Ele invade as nossas casas, rouba a nossa
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