O cheiro de iodo, água sanitária e lençóis esterilizados tentava, sem sucesso, apagar o cheiro de pólvora e sangue que parecia ter grudado na minha alma.Eu estava sentada na beira de uma maca de hospital, iluminada pela luz fluorescente e doentia de uma sala de trauma do Sírio-Libanês. Um médico residente, pálido e com as mãos trêmulas, terminava de limpar os cortes profundos nas palmas das minhas mãos — cortesia do púlpito de acrílico estilhaçado — enquanto dois agentes da Polícia Federal montavam guarda na porta de vidro.O meu advogado, um criminalista implacável chamado Dr. Malta, andava de um lado para o outro no quarto pequeno."A narrativa está do nosso lado, Isadora", Malta falava rápido, checando o celular a cada cinco segundos. "O país inteiro assistiu ao vazamento no telão. A internet está chamando você de heroína. O seu pai passou por uma cirurgia de reconstrução do joelho há duas horas e já acordou indiciado por homicídio múltiplo, fraude e formação de quadrilha. Nós vam
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