O som de um tiro de fuzil disparado no escuro absoluto não é apenas um barulho. É um deslocamento físico de ar que arranca o oxigênio dos seus pulmões.
O projétil não me acertou, mas passou a milímetros do meu pescoço, estilhaçando o púlpito de acrílico onde eu estava apoiada. Uma chuva de cacos pontiagudos de plástico explodiu sobre o meu rosto. O instinto de sobrevivência, treinado nos corredores da Monteverde e afiado no desmanche de carros, tomou o controle.
Joguei o meu corpo para trás, ca