Eu tô subindo essa ladeira do morro agora, o sol queimando a minha nuca, e o suor escorrendo pelas tatuagens nos meus braços. Caraca, véi, 32 anos nas costas e ainda me sinto como se tivesse 20, mas com mais cicatrizes pra contar. Meu nome é Edy, sou alto, forte, daqueles que impõem respeito só de olhar. Os vapô me chamam de "o cara", e eu rio, porque no fundo sou só um maluco que tenta equilibrar essa loucura toda. Tô carregando uma sacola de pães fresquinhos da padaria lá embaixo, ritual diário, sabe? Pra não pirar de vez.Enquanto eu ando, o morro pulsa ao meu redor. As crianças correndo, gritando pra mim.— Tio Edy, joga a bola! — Chuto a bola pra eles, dou um sorriso, aceno, mas continuo subindo.Pô, essa vida aqui não é mole não.Nasci nesse buraco, numa casinha apertada onde mal cabia a minha família. Meu pai, o velho Seu Zé, tem 62 agora, e ainda trabalha no barzinho dele, o "Zé do Canto", logo no pé do morro. Ele é daqueles caras quietões, véi, mas observa tudo com aqueles o
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