E aí, galera, me chamo Daiane Santos. Moro aqui no mesmo morro que a Sayuri, só que lá embaixo, numa casinha de dois cômodos que divide eu e minha mãe, Marta. Pai? Nem conheci. Sumiu antes de eu nascer, dizem que levou chumbo numa parada errada. Meus dois irmãos mais velhos, o Thomás e o Thiago, também já foram. Um em confronto com a polícia, outro numa briga de facção rival.Morro é assim, mermão: a gente nasce, cresce e muitas vezes morre sem nem escolher.Eu estudo na escola municipal que fica no pé do morro. Quando tem operação do BOPE ou tiroteio brabo, a escola fecha e a gente perde aula. Às vezes fico semanas sem ir, mas faço o que posso pra não reprovar. Minha mãe rala pra caralho: faxina em casa de patrão na zona sul, lava roupa pros vizinho, vende bala no sinal quando dá. Ela já tá com quase 60 anos, costas acabadas, mas não para. Sempre fala: “Daiane, tu vai ser alguém, vai estudar, vai sair dessa vida”Eu amo ela demais, sangue bom pra porra, mas papo reto: às vezes eu ol
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