A FELICIDADE NÃO TEM PREÇO MATTEU Eu olho ao meu redor e, por um instante, o som das vozes e o tilintar dos talheres parecem desacelerar na minha mente. Um calor desconhecido e avassalador começa a invadir o meu peito, subindo de vagar até me apertar a garganta. Eu vejo a minha neta pular, o rostinho iluminado por uma pureza que eu achei que não existia mais neste mundo, festejando com palminhas e pulos a ideia de que eu, o velho Matteo, vou trabalhar na barraca de feira ao lado de Jemima, a minha futura nora. Ao mesmo tempo, desvio o olhar para o lado e vejo o meu filho, Giorgio. Ele ri junto comigo, um riso farto, aberto, sem as amarras e as tensões que os nossos negócios sempre impuseram entre nós. Olhando para os dois agora, com o peito subindo e descendo de forma pesada, eu vejo, com uma clareza que chega a doer, o quanto eu perdi na minha vida. Quantos anos eu joguei no lixo atrás de uma mesa de escritório, assinando papéis, acumulando um poder frio e uma riqueza que nunc
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