A ARTE DE RECOMEÇARGEMIMAA atmosfera na varanda rústica do nosso sítio mudou por completo. O ar antes tenso, carregado pelas sombras de um passado de rejeição, agora parece leve, quase sagrado. Observo o senhor Matteo, aquele homem que outrora me olhava do alto de sua soberba em Palermo, agora ajoelhado no chão de madeira, com o terno amassado, recolhendo as peças do quebra-cabeça ao lado do filho e da neta. A imagem dele desarmado, entregando-se à pureza da Georgina, aperta o meu peito de uma forma boa. Não há espaço para o triunfo no meu coração; há apenas espaço para a contemplação do milagre do arrependimento.Dou um passo à frente, ajeitando o meu avental, e quebro o silêncio com a mansidão que a terra me ensinou a ter.— Com licença, senhor Matteo, Giorgio... — começo, atraindo o olhar de todos para mim. — Eu vou entrar agora para ajudar a minha mãe a preparar o nosso jantar. E, já que a minha filha fez esse convite com tanta pureza, eu faço questão de reforçá-lo. O senhor é m
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