Na manhã seguinte, a liberdade não se pareceu com a sensação grandiosa que eu imaginara. Não acordei diferente, a mansão continuava silenciosa e Rafael permanecia deitado ao meu lado, com a mão apoiada sobre minha cintura e o rosto voltado para o travesseiro. O termo de rescisão estava sobre a cômoda, exatamente onde o deixamos, e a aliança continuava em meu dedo. Ainda assim, havia alguma coisa inquietante na ausência do contrato, como se uma parede que eu passara meses criticando tivesse desaparecido e revelado uma altura maior do que eu esperava. Pela primeira vez, não existia pagamento previsto para o mês seguinte, obrigação de convivência ou cláusula garantindo que Rafael continuaria me oferecendo aquela casa. Eu havia escolhido ficar, mas só naquela manhã compreendi que uma escolha livre também precisava sobreviver às questões menos românticas.Rafael despertou quando tentei sair da cama e segurou minha cintura antes que eu alcançasse o chão. O gesto já se tornara habitual, mas,
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